Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Pedro Henrique da Silva Fernandes, 22, é apontado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) como o mentor intelectual do duplo homicídio que vitimou o irmão, Mauricio Medeiros, e Letícia Rikaely Guimarães da Cruz, 19, em Manaus.
Segundo a investigação, ele teria repassado aos comparsas informações sobre a rotina de Mauricio e sobre a existência de aproximadamente R$ 40 mil a R$ 45 mil na residência onde a vítima morava.
Os corpos foram encontrados na madrugada de terça-feira, 8/9, em uma residência localizada na Avenida das Oliveiras, no bairro Novo Israel, zona Norte da capital.
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De acordo com os delegados responsáveis pelo caso, Pedro Henrique teria informado aos suspeitos que Mauricio trabalhava com compra e venda de veículos e poderia manter uma quantia significativa de dinheiro em casa. A intenção inicial, segundo a polícia, seria roubar o valor.
O delegado Adanor Porto afirmou que Pedro teria chamado Leonardo Neves Mota, 28, apontado como um dos envolvidos, para participar da ação.
“O mentor intelectual deste crime teria sido o próprio irmão da vítima, o Pedro Henrique. Ele teria passado a fita para eles, informando que seu irmão, por trabalhar com a venda e compra de veículos, possuía grandes valores em casa, na monta de R$ 40 mil a R$ 45 mil. Em razão disso, orquestrou toda essa empreitada criminosa”, afirmou.
Segundo o delegado, os envolvidos foram até a residência com a intenção de subtrair o dinheiro. “Chamou o Leonardo para que eles fossem até a residência do irmão dele e fizessem essa subtração”, explicou Adanor Porto.
Durante a execução, no entanto, a situação teria evoluído para o assassinato das duas vítimas.
A investigação aponta que os suspeitos entraram no imóvel utilizando balaclavas para esconder o rosto. Mauricio e Letícia foram rendidos, amarrados e amordaçados. Os investigadores também identificaram sinais de tortura nos corpos.
Segundo Adanor Porto, o próprio Mauricio teria reconhecido o irmão durante a ação, mesmo com o uso da balaclava. A partir desse momento, conforme a versão apresentada pela polícia, a dinâmica do crime teria mudado.
“As investigações constataram que eles entraram na residência, conforme depoimento dos próprios autores, com balaclava, amarraram as vítimas, amordaçaram as vítimas. Foram encontrados sinais de tortura nos corpos das vítimas”, relatou o delegado.
Letícia também teria sido mantida amarrada em outro cômodo da residência. Conforme a investigação, Pedro Henrique teria participado diretamente da morte dela, enquanto Leonardo teria matado Mauricio.
“A outra vítima foi amarrada também, a Letícia, no outro cômodo, e o Pedro Henrique, irmão do Maurício, matou a Letícia enquanto o Leonardo, o Gordinho, matou o Maurício. Eles foram mortos com cortes no pescoço”, detalhou Adanor.
Desavença entre irmãos
Além da motivação financeira, a Polícia Civil investiga uma possível desavença entre os irmãos.
Segundo Adanor Porto, Mauricio teria passado por problemas conjugais e um período de depressão e, durante essa fase, convidado Pedro Henrique para morar com ele. A convivência, conforme o relato apresentado à polícia, teria sido marcada por conflitos.
“Durante essa estadia do Pedro Henrique na casa do Maurício, segundo o autor relata, eles teriam tido alguns problemas ali, umas desavenças, ofensas da vítima para o autor. Então o autor já trazia ali uma rixa com seu irmão”, explicou.
Após o crime, os suspeitos teriam utilizado o veículo de Mauricio para fugir de Manaus em direção a Roraima. Segundo a investigação, a intenção seria chegar à região de fronteira e trocar o carro por dinheiro para continuar a fuga.
O delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), explicou que a identificação da rota do veículo foi fundamental para a localização dos suspeitos.
“As investigações avançaram, de modo que conseguimos identificar que este veículo estava seguindo em direção ao estado de Roraima. Imediatamente, nós fizemos contato com as forças de segurança de lá”, afirmou.
A ação contou com a participação integrada da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil de Roraima, Polícia Militar de Roraima e Guarda Municipal de Bonfim.
Suspeitos foram presos em Roraima
Os três suspeitos foram presos no município de Bonfim, em Roraima. Inicialmente, eles foram autuados pela polícia daquele estado pelo crime de latrocínio. Posteriormente, os procedimentos relacionados à investigação conduzida pela Polícia Civil do Amazonas deverão ser encaminhados às autoridades amazonenses.
Segundo Ricardo Cunha, os suspeitos confessaram participação no crime. “Eles foram flagranteados pelo latrocínio lá pela polícia de Roraima. Posteriormente, esses autos vão vir para a gente e eles confessaram seus delitos”, informou.
Durante a abordagem, os policiais também encontraram objetos que, segundo a investigação, pertenciam às vítimas, entre eles dois aparelhos celulares e parte do dinheiro levado da residência.
Adanor Porto afirmou ainda que Pedro Henrique teria relatado a realização de transferências bancárias da conta de Mauricio para contas dos suspeitos.
“No relato de Pedro, ele avisa também que foram feitas transferências bancárias da conta da vítima para contas deles, e esses valores foram utilizados para pagar dívidas de agiota, conforme é relatado no depoimento do Pedro”, disse.
Facas foram jogadas no rio Amazonas
As armas que teriam sido utilizadas no crime também foram descartadas durante a fuga.
Segundo Adanor Porto, duas facas usadas nas mortes foram levadas pelos suspeitos durante parte do deslocamento e posteriormente jogadas no rio Amazonas.
“Os instrumentos utilizados no crime, as duas facas, elas foram abandonadas, foram jogadas no rio Amazonas. Eles confessam que durante a fuga eles fizeram o descarte das facas”, relatou.
Mãe de Letícia encontrou os corpos
Os corpos foram descobertos depois que familiares de Letícia ficaram preocupados com o desaparecimento da jovem.
Sem conseguir contato com a filha, a mãe foi até a residência onde ela estava com Mauricio. Ao chegar ao local, teria identificado o corpo de Mauricio por uma janela e acionado as autoridades.
“Quem teve esse primeiro contato com os corpos foi a mãe da Letícia. Ela já estava preocupada com o sumiço da sua filha, porque ela entrava em contato, ela não respondia, ligava e ela não dava sinais”, relatou Adanor Porto.
Polícia aponta antecedentes dos suspeitos
Durante a apresentação do caso, Adanor Porto afirmou que Pedro Henrique não teria demonstrado arrependimento durante a oitiva e apresentou comportamento considerado tranquilo diante das acusações.
Segundo o delegado, Pedro já possuía antecedentes e respondia a outro procedimento relacionado a um homicídio ocorrido em Roraima, em 2022.
“É importante nós ressaltarmos que o Pedro, o irmão do Maurício, já é um indivíduo de certa periculosidade, já tem uma passagem, já foi preso e respondia por outro procedimento de homicídio em 2022 ocorrido na cidade de Roraima”, destacou.
Ainda conforme o delegado, Leonardo também possui uma passagem anterior relacionada ao crime de estupro.
“Pelo que nós podemos constatar, o Leonardo já tem uma passagem por estupro e, quanto ao Juan, não foi possível constatar até o presente momento nada”, informou.
Os suspeitos foram identificados como Leonardo Neves Mota, 28, Juan Pereira da Silva, 20, e Pedro Henrique da Silva Fernandes, 22.
A Polícia Civil do Amazonas continua investigando o caso para esclarecer a dinâmica do crime, individualizar a participação de cada suspeito e reunir elementos para a responsabilização criminal.






