Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Durante agenda em Manaus, o ministro da Saúde Alexandre Padilha afirmou, nesta quinta-feira, 10/9, que o uso do telediagnóstico pode reduzir de até seis meses para menos de uma semana o tempo para conclusão de diagnósticos de câncer no Amazonas. A estratégia, segundo Padilha, permite que exames coletados no interior sejam analisados à distância por especialistas, sem a necessidade de manter um anatomopatologista, médico especialista responsável por analisar células, tecidos e órgãos para diagnosticar doenças, como câncer, infecções e inflamações, em cada município.
A declaração ocorreu durante a passagem do ministro pela Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), referência no atendimento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.
“A gente tem usado cada vez mais a telessaúde, o telediagnóstico, para enfrentar essas dificuldades que muitas vezes a população tem no interior”, afirmou Padilha.
Uma das estratégias citadas pelo ministro é o Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer, que utiliza tecnologia para permitir a análise à distância de exames anatomopatológicos. Na prática, materiais coletados dos pacientes dão origem a lâminas que podem ser digitalizadas por scanners. As imagens são encaminhadas eletronicamente para especialistas, que fazem a análise necessária para emissão do laudo. Dessa forma, o profissional responsável pela avaliação não precisa estar fisicamente no município onde o material foi coletado.
“A gente permite que possa fazer o diagnóstico à distância. Lâminas são encaminhadas, não precisa ter um anatomopatologista lá em cada município. Encaminhado de forma concentrada e você faz através do scanner, você consegue fazer a leitura da lâmina e fechar o diagnóstico”, explicou o ministro.
Padilha afirmou que o objetivo é reduzir uma espera que, segundo ele, pode chegar a meses no Amazonas.
“A gente está reduzindo de seis meses, que é o tempo para fechar um diagnóstico de câncer, para menos de uma semana o diagnóstico de câncer aqui no estado do Amazonas”, declarou.
O que é telessaúde?
A telessaúde é uma estratégia do SUS que utiliza tecnologias digitais de informação e comunicação para oferecer atendimento à distância como complemento ao cuidado presencial. Entre os serviços estão teleconsultas, teleinterconsultas, teleconsultorias e o telediagnóstico. Este último permite que exames e informações sejam enviados para profissionais que estão em outro local e possam emitir laudos e avaliações à distância.
No atendimento ao câncer, o Ministério da Saúde utiliza ainda telelaudos e telepatologia. A estratégia permite, por exemplo, que municípios com menos profissionais especializados enviem imagens de lâminas para centros de referência, diminuindo a necessidade de deslocamento do paciente apenas para que o exame seja analisado.
A estrutura nacional do Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer foi planejada para alcançar capacidade de até mil laudos por dia, com prazo máximo de cinco dias. A medida tem peso especial no Amazonas devido às distâncias entre os municípios e à concentração de serviços especializados na capital. Com a análise remota, a proposta é fazer o exame chegar ao especialista sem necessariamente fazer o paciente percorrer o mesmo caminho.
Novos equipamentos para a FCecon
Além da ampliação do diagnóstico à distância, Padilha anunciou durante a agenda novos equipamentos destinados à FCecon. Entre eles estão um novo acelerador linear para radioterapia, um tomógrafo e um aparelho de ressonância magnética. Segundo o ministro, o novo tomógrafo será utilizado especificamente para diagnóstico. Com isso, o equipamento que já existe na Fundação poderá ficar dedicado ao planejamento dos tratamentos de radioterapia.
“Vamos trazer um novo tomógrafo para a Fundação. Vai ser um tomógrafo exclusivo para a parte de diagnóstico, que é mais amplo e mais moderno. Então, o tomógrafo atual da Fundação vai ficar exclusivo para o planejamento do tratamento do câncer da radioterapia”, afirmou.
Padilha informou ainda que o novo tomógrafo já está pronto e aguarda a conclusão das adequações na sala onde será instalado. A previsão apresentada durante a agenda é de conclusão da estrutura até o fim deste ano. Já o novo acelerador linear deve chegar no início de 2027, enquanto a instalação da ressonância magnética também depende de adequações físicas.
O ministro também anunciou a intenção de ampliar no Amazonas uma nova tecnologia para diagnóstico do câncer do colo do útero. Uma reunião com gestores municipais está prevista para o dia 25 de setembro para discutir a expansão da estratégia para os municípios.
“O Estado do Amazonas é prioridade absoluta do Ministério da Saúde para ampliarmos o diagnóstico do câncer de colo de útero”, afirmou.
Segundo Padilha, o Ministério da Saúde deverá disponibilizar materiais, insumos e equipamentos necessários para ampliar a utilização da tecnologia nos municípios amazonenses.






