Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Com o início das apresentações musicais do Festival Sou Manaus Passo a Passo, marcado para esta sexta-feira, 5/9, no Centro Histórico da capital amazonense, crescem as críticas à organização do evento.
Apesar da magnitude da programação — que inclui atrações nacionais de destaque e promete movimentar milhões de reais em cachês e no setor do turismo — músicos e artistas amazonenses denunciam desigualdade no tratamento dado aos talentos locais.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS esteve no local e acompanhou os últimos preparativos para a festa. Entre as principais reclamações estão a disparidade nos valores pagos aos artistas da terra em comparação aos contratados de fora, a ausência de espaço nos palcos principais e a baixa visibilidade nas peças de divulgação oficial.
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Em tom de desabafo, o humorista e comediante Roger Siqueira usou suas redes sociais, nesta semana, para questionar o tratamento dado pela Prefeitura de Manaus aos artistas locais. Segundo ele, a gestão municipal não valoriza os talentos manauaras e privilegia grandes nomes do cenário nacional.
“Gente, pelo amor de Deus, o cara me dá uma migalha, um cachêzinho, para eu ir lá ter o argumento de existência do evento?”, desabafou o comediante, ao alertar que: “O ‘Passo a Paço’ existe porque é uma forma da Prefeitura firmar grandes contratos milionários, muitas vezes com artistas nacionais”, disse.
Artistas excluídos da programação
O vocalista da banda Não Existe Saudade em Inglês, Paulo Henrique, relatou frustração por ter sido novamente impedido de se apresentar no festival neste ano. A justificativa teria sido que não poderiam repetir atrações, mas, segundo ele, artistas nacionais, como Joelma, já se apresentaram em edições consecutivas do evento.
“É revoltante que o maior evento de artes integradas da região Norte não reconheça e não remunere de forma justa quem produz arte aqui. A Prefeitura tem uma visão mercadológica, pensa apenas em números. Para eles, trazer quem está no topo do Spotify é mais lucrativo do que dar espaço a quem canta sobre as raízes indígenas e a cultura do Norte”, criticou.
A frustração se intensificou com denúncias sobre vendas irregulares de ingressos para os shows nacionais. Para muitos artistas e produtores culturais da região, a falta de diálogo e de critérios claros na seleção dos participantes locais evidencia uma gestão desconectada das necessidades do setor cultural amazonense.






