Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O médico ortopedista Rafael Benoliel questionou o pagamento de R$ 84 milhões anunciado pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade (União), para profissionais da saúde da rede pública estadual.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, 12/8, Benoliel, que é candidato a deputado estadual pelo Republicanos, afirmou que ainda não havia recebido os valores até o dia 12 de agosto.
“Hoje, dia 12 de agosto, nenhum dinheiro chegou em nossas mãos, pelo menos não nas minhas”, afirmou.
O anúncio do pagamento ocorreu no fim de julho, após o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) denunciarem atrasos de até oito meses nos repasses aos profissionais.
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Médico questiona modelo de pagamento
Benoliel também criticou o modelo utilizado pelo Estado para efetuar os pagamentos da saúde. Segundo ele, mudanças implementadas a partir de 2014 teriam contribuído para ampliar os atrasos.
O médico citou a criação do Fundo Estadual de Saúde e afirmou que a mudança retirou os profissionais da condição de pagamento prioritário.
“Isso tirou os profissionais de saúde de uma categoria de serviço essencial e, portanto, de um pagamento prioritário, e nos colocou junto a todos os prestadores de serviço do Estado”, declarou.
Segundo Benoliel, os atrasos aumentaram gradualmente e passaram de semanas para meses.
“A partir daí a gente começou a ter atrasos que foram de 15 dias, depois de um mês, depois de três meses, chegou-se agora a esse cúmulo de quase um ano com pagamentos atrasados ou até dois”, disse.
Contratos indenizatórios
O médico também questionou o enquadramento de parte dos contratos como indenizatórios. Segundo ele, o modelo exige mais etapas de análise e justificativa antes da liberação dos valores.
“Todos os pagamentos precisavam passar por muito mais etapas de verificação, de justificativa. Isso fazia com que o pagamento fosse ainda mais dificultado, com que mais tempo fosse ganho por eles e perdido por nós”, afirmou.
Benoliel disse que os atrasos não começaram na atual gestão, mas avaliou que o problema se agravou nos últimos governos. “Não dá para dizer que tudo começou agora, mas com certeza foi muito piorado por esses últimos governos que aí estão”, destacou.
‘A saúde precisa ser vista como prioritária’
O médico cobrou prioridade para o pagamento de médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais da saúde. “Só estou cobrando que a saúde seja vista como prioritária como ela é, como o serviço essencial que ela é”, afirmou.
Para Benoliel, a demora nos pagamentos também afeta diretamente o sustento dos profissionais e de suas famílias.
“Isso realmente é um problema e muito tem a ver com esses atravessadores e com essas dificuldades que foram sendo colocadas paulatinamente e que hoje comprometem a vida familiar, comprometem o sustento, comprometem a alimentação de todos esses profissionais”, declarou.
CFM e Simeam denunciaram atrasos
O anúncio dos R$ 84 milhões ocorreu dias após o CFM e o Simeam denunciarem atrasos de até oito meses nos pagamentos aos médicos da rede pública estadual.
As entidades também anunciaram medidas administrativas e judiciais para cobrar a regularização dos repasses.
Após o anúncio do governo, usuários questionaram nas redes sociais a situação dos pagamentos e cobraram explicações sobre os atrasos.
Governo ainda não se manifestou
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para esclarecer a denúncia feita pelo médico e questionar a situação dos pagamentos anunciados pelo governo, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
O espaço permanece aberto para manifestação da secretaria e dos demais citados.






