Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O senador Flávio Bolsonaro (PL) se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” em uma carta divulgada nesta quarta-feira, 28/10, pelo aliado político Paulo Figueiredo, após chegar aos Estados Unidos com a família.
Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, realizado no último domingo, 25, o parlamentar voltou a contestar o resultado da votação e afirmou que pretende liderar a oposição ao governo brasileiro diretamente do exterior.
Na carta dirigida ao povo brasileiro e à comunidade internacional, Flávio acusa o processo eleitoral de fraude e atribui a vitória de Lula à decisão de estender o horário de votação. O senador, no entanto, não apresentou provas que sustentem as alegações de irregularidades no resultado eleitoral.
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“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, escreveu.
O senador também criticou o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem atribuiu responsabilidade pelo aumento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno, sem comprovar a alegação.
Flávio afirmou que a prorrogação do horário eleitoral teria submetido eleitores a regras diferentes e questionou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Vale lembrar, que a campanha de Flávio concordou e também solicitou prorrogação do horário do pleito.
O resultado das eleições foi reconhecido pela Justiça Eleitoral. As acusações apresentadas pelo senador na carta não alteram, por si só, o resultado oficial do pleito.
Flávio nega fuga e acusa STF de perseguição
Outro trecho da carta é dedicado à decisão de deixar o Brasil e viajar aos Estados Unidos. Flávio negou que tenha fugido do país e justificou a saída como uma forma de evitar o que classifica como perseguição política.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, declarou.
O parlamentar afirma que teme sofrer medidas judiciais, como apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e condenação. Na carta, ele também sustenta que não há mandado de prisão contra ele e diz ter levado a família para os Estados Unidos por considerar que estaria mais seguro no país.
Oposição será comandada dos Estados Unidos
No primeiro parágrafo da carta, Flávio agradeceu ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além do governo norte-americano, pelo acolhimento à família.
Flávio afirmou que pretende continuar se manifestando regularmente e mobilizar seus apoiadores por meios que classificou como pacíficos e legítimos.
“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui”, escreveu.
Ao final da carta, o senador afirmou que não pretende abandonar seus eleitores e que a disputa política continuará mesmo fora do Brasil.
Resultado das eleições
Flávio Bolsonaro (PL) perdeu a disputa pela Presidência da República para Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença de 4.430.191 votos no segundo turno das Eleições Presidenciais de 2026, realizado no último domingo, 25.
Segundo dados oficiais consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio recebeu 59.826.041 votos, o correspondente a 48,21%.
Veja carta na íntegra:









