Júlio Gadelha – Rios de Notícias
PARINTINS (AM) – Quase três anos depois do desabamento do muro de arrimo da orla de Parintins, a 369 quilômetros de Manaus, a obra de reconstrução ainda não foi concluída, prejudicando restaurantes e comércios locais, além de apresentar risco de novos acidentes nessa época do Festival de Parintins.
Historicamente, a região tem enfrentado desabamentos de muros pelo menos desde 2020. Na época, a Prefeitura de Parintins contratou emergencialmente a reconstrução da parte localizada na Praça Judith Prestes, com um custo de R$ 2,34 milhões. Porém, antes da entrega da obra, um novo desabamento ocorreu em dezembro de 2021, destruindo outra parte do muro que compreendia a Praça Digital e outros estabelecimentos comerciais como bares e restaurantes.
Desde então, as obras avançam lentamente. A reconstrução do primeiro trecho afetado, na Praça Judith Prestes, foi entregue apenas na terça-feira, 25/6, dois anos e sete meses após o último deslizamento.
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Solução definitiva
Às vésperas da eleição, o prefeito Bi Garcia (PSD) firmou um contrato de R$ 67.019.542,85 com a empresa COSTAPLAN CONSTRUÇÕES LTDA – EPP (CNPJ 07.228.748/0001-95) para a reconstrução completa do muro de arrimo da orla de Parintins. A obra visa solucionar definitivamente os deslizamentos que afetam a região há anos.
Confira o documento na íntegra:
No entanto, o valor da obra chama atenção. Em comparação, com esse montante seria possível construir 16 escolas municipais com 12 salas e ginásio coberto ou 95 unidades básicas de saúde (UBS) em áreas carentes. Esses valores são baseados em obras recentes realizadas pela Prefeitura de Parintins.
Em 2022, foi firmado o TERMO DE CONTRATO Nº 004/2022, no valor de R$ 4.089.942,63, para a construção de uma escola nessas condições na avenida Penetração, no bairro da União. Em 2023, foi construída uma UBS na comunidade São Tomé do Uaicurapá, conforme o TERMO DE CONTRATO Nº 002/2023, por R$ 700.023,65.

Importância do muro

Os muros de arrimo, também conhecidos como muros de contenção, são construções capazes de conter forças em barrancos e desfiladeiros evitando erosões, sendo uma ferramenta de segurança em terrenos com inclinações.
O muro de Parintins foi construído nesse sentido para combater o fenômeno conhecido como “terras caídas”, característico dos rios na Amazônia. Ele ocorre quando grandes blocos de terra se desprendem e desmoronam nas águas, principalmente durante a estação das chuvas, devido ao aumento do volume e da força das águas.
Esse processo é resultado da erosão fluvial, onde as correntes do rio desgastam as bases das encostas, levando ao colapso das camadas superiores.
Além de alterar a paisagem, impacta significativamente as comunidades, destruindo habitações, plantações e infraestruturas localizadas próximas às margens dos rios.






