Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Desde os primórdios do rock ‘n’ roll, as mulheres têm desafiado estereótipos e moldado o cenário musical com uma presença marcante e talento inegável. Embora historicamente dominado por homens, o estilo musical viu o surgimento de figuras femininas poderosas que não apenas conquistaram os palcos, mas também abriram caminho para gerações futuras.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com duas cantoras para explorar o cenário do rock feminino em Manaus, compreender o seu impacto, destacar suas contribuições e os desafios que enfrentaram.
As duas tem o mesmo nome e dividem a mesma paixão pelo rock, mas são diferentes no estilo musical. A técnica de enfermagem, Mônica Cristina Lopes Paz, de 41 anos, mais conhecida como Mônica Paz, da ‘Solymon’, ama o Heavy Metal. Já Mônica Cardoso, da banda ‘Os Acossados’, curte o Garage Punk.
“Quando escutei os riffs [pequeno trecho, geralmente instrumental, que se repete várias vezes na música] de guitarra, aquela voz estridente que pulsava no meu coração, arrebatou o meu corpo, me fez sentir uma emoção tão grande, e, quando fui ver era uma fita cassete onde estava escrito Slayer e Metallica”, lembra Mônica Paz, vocalista da Solymon, sobre a descoberta do rock em sua pré-adolescência.
Desde então, ela passou a viver e respirar rock sempre em busca de respostas para as curiosidades sobre o estilo musical.


“Existem situações que a gente não deve seguir a risca, acho a frase “sexo, drogas e rock ‘n’ roll” clichê , pois o rock é recado, empoderamento e atitude. Então, a pessoa não precisa fazer as coisas negativas para ser um roqueiro ou uma roqueira”, ressalta.
Ter atitude e música bonita com algo que toque o coração é o lema de Mônica Paz. “Gosto do rock, porque ele está nessa situação de mandar seu recado que toca os nossos corações. Pelo menos o rock que eu faço é assim”, explica.
Desta forma, o rock feminino não apenas desafia convenções, mas também enriquece o gênero com sua criatividade, paixão e compromisso com a autenticidade. É marcado por empoderamento, conhecimento, estudos, embasamento e sentimento na produção musical para conectar o público.
Desafios
Apesar dos avanços, as mulheres no rock ainda enfrentam desafios significativos, incluindo o sexismo na indústria musical, a falta de visibilidade nas mídias e a desigualdade de oportunidades. No entanto, a resiliência e a determinação das artistas continuam a inspirar uma nova geração de músicos.
Para a vocalista da ‘Solymonband’, os desafios estão presentes em todas as esferas. ” Vamos ser sinceros, apesar de estar no século 21, existe a predominância masculina. A mulher sempre tem que provar algo por meio do empoderamento. A roqueira tem que ter foco no que quer profissionalmente. Não apenas na cena do rock manauara, mas em todos os setores da sociedade, tem que se valorizar e ter amor próprio”, reflete.
Já Mônica Cardoso, da banda ‘Os Acossados’, diz ao riosdenoticias.com.br que não se considera uma ‘roqueira’. “Acredito que vivemos em uma sociedade estruturalmente machista, o que se reflete também no mundo musical, especialmente no rock. O importante é não desistir. Sempre haverá alguém tentando diminuir o papel da mulher no rock. É essencial persistir, acreditar no seu potencial e saber que você tem talento para isso”, ressalta a vocalista.


Solymon
Mônica Paz teve algumas bandas de rock. A ‘Solymon’ é uma banda de metal Amazônico e conta histórias nativas reais de um povo explorado, humilhado, enfatizando sua cultura e crenças indígenas. Em 2022, surgiu a ideia de cantar a Amazônia e suas histórias.
“Tem muita coisa que o povo indígena sofreu. Falta conhecimento e interesse voltado para o Norte do país e a região amazônica. Então, surgiu a banda justamente com esse foco, de mostrar as explorações e outros aspectos”, explica.
A Solymon está em processo de gravação de um EP com cinco músicas, além da divulgação do álbum “Ferrovia do Diabo”.


Os Acossados
A banda ‘Os Acossados’ surgiu em 2012 e o estilo é Garage Punk, um gênero que une a sonoridade das bandas de garagem da década de 1960 com a atitude do “faça você mesmo” e a criticidade do punk.
Rachel Naggs, dos Detroit Cobras; grupos femininos do norte da Inglaterra, como The Delmonas e Thee Headcoatees; revivalistas do rock de garagem da década de 1960 e atuantes na década de 1980, como The Pandoras e The Brood; e muitas bandas de garagem femininas e girl groups da década de 1960, imortalizadas em coletâneas como Girls in the Garage e Girls With Guitars são algumas das influências no rock da vocalista de ‘Os Acossados’.
“Desde pequena, ouvia Jovem Guarda com meus pais e, na década de 1990, comecei a frequentar a cena underground de São Paulo. Foi nessa época que comecei a ouvir discos que hoje são referência para o som dos ‘Acossados’. Somos uma banda autoral, mas também costumamos fazer releituras de músicas que nos tocam, geralmente rocks das décadas de 1960 e 1970, que frequentemente apresentamos nos nossos “bis”, diz Mônica Cardoso.
No momento, a banda está consolidando uma nova formação e trabalhando em novos arranjos e materiais. “Em breve, estaremos com uma formação ainda mais interessante e empolgante”, frisa a vocalista.






