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Home Cidades

MPF alerta conselhos de medicina sobre violência obstétrica e cobra ações imediatas

Os conselhos de medicina têm prazo de 30 dias para informar ao MPF se irão implementar as recomendações

29 de janeiro de 2026
em Cidades
Tempo de leitura: 7 min
CRM

Fachada do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Foto: Reprodução/Google Maps)

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Caio Silva – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – O Ministério Público Federal (MPF) emitiu uma recomendação formal ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e ao Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) para que adotem medidas de prevenção, apuração e punição de casos de violência obstétrica.

O documento, assinado pelo procurador da República Igor Jordão, foi publicado em 21 de janeiro de 2026 e se baseia em normas nacionais e internacionais de direitos humanos.

A recomendação surge após o MPF constatar a inexistência, nos sistemas internos dos conselhos, de protocolos específicos para tratar denúncias desse tipo de violência.

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Leia também: Sisu 2026: candidatos já podem conferir resultado individual

Violação de direitos

Atualmente, segundo o CREMAM, não há um campo específico para registrar ocorrências de violência obstétrica, o que dificulta a produção de estatísticas e a responsabilização de profissionais.

Para o MPF, a violência obstétrica é uma forma de violência de gênero, caracterizada por práticas desumanizadas, abusivas ou negligentes contra mulheres durante a gestação, o parto e o pós-parto. Essas condutas violam direitos fundamentais, como vida, saúde, integridade física e dignidade, além de comprometer a autonomia das mulheres sobre seus próprios corpos.

Caso Alyne Silva Pimentel

O documento lembra que o Brasil já foi responsabilizado internacionalmente por falhas na assistência obstétrica, como no caso de Alyne Silva Pimentel, julgado pelo Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (CEDAW).

Decisões recentes da Corte Interamericana de Direitos Humanos reconhecem a violência obstétrica como violação de direitos humanos e impõem aos Estados o dever de prevenir, investigar e punir essas práticas.

Cenário no Amazonas

No Amazonas, o MPF registrou dezenas de denúncias envolvendo mulheres, muitas delas indígenas, submetidas a procedimentos sem consentimento, ofensas verbais, intervenções dolorosas desnecessárias e, em alguns casos, mortes maternas e neonatais. Esses casos reforçam a urgência de medidas estruturais para enfrentar o problema.

Entre os casos citados está o de uma paciente indígena submetida a cesariana no Hospital Geral de Santa Isabel do Rio Negro. Após a cirurgia, a paciente apresentou fortes dores e, 22 dias depois, retornou à unidade.

Devido à gravidade, foi transferida para o Hospital Platão Araújo, em Manaus, mas faleceu em 16 de março de 2023. Durante a cremação, foi encontrada uma lâmina de bisturi nos restos mortais da mulher.

Principais recomendações ao CFM

O MPF orienta o CFM a adotar medidas para prevenir e punir a violência obstétrica, entre elas:

  • Criar protocolo específico para receber, investigar e punir denúncias (90 dias);
  • Atualizar o Código de Ética Médica para reconhecer a violência obstétrica como infração ética;
  • Produzir e divulgar materiais educativos sobre práticas humanizadas no parto;
  • Publicar relatórios anuais com dados sobre denúncias e sanções;
  • Revogar pareceres ou notas técnicas que neguem a existência da violência obstétrica;
  • Garantir sanções proporcionais aos profissionais que cometerem tais práticas.

Recomendações ao CREMAM

Para o Conselho Regional de Medicina do Amazonas, as recomendações incluem:

  • Adotar procedimentos específicos para apurar denúncias;
  • Garantir a escuta das vítimas e evitar revitimização;
  • Implantar sistema padronizado de registro de denúncias;
  • Promover campanhas de conscientização junto aos profissionais de saúde;
  • Publicar relatórios periódicos sobre denúncias e punições;
  • Realizar capacitação com perspectiva de gênero para conselheiros e sindicantes.

Responsabilização

Os conselhos têm 30 dias para informar ao MPF se adotarão as recomendações e quais medidas serão implementadas. O órgão alerta que omissões futuras podem levar à responsabilização.

O MPF reforça que a recomendação não encerra sua atuação e que medidas judiciais ou extrajudiciais poderão ser tomadas caso as violações persistam.recomendação não encerra sua atuação e pode atuar novas medidas judiciais ou extrajudiciais caso as violações persistam.

RECOMENDACAO – CFM e CREMAM (1)Baixar

Tags: Amazonascasosconselho de medicinaregiãoviolência obtétrica

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