Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A morte encefálica, também conhecida como morte cerebral, é a perda completa e irreversível das funções cerebrais. Esse foi o motivo apontado como a causa da morte do analista júnior, Emanuel da Costa Fernandes, de 26 anos, após o atropelamento ocorrido no último dia 1º/5, no bairro Ponta Negra, zona Oeste de Manaus.
O atleta foi uma das cinco pessoas atropeladas por um motorista embriagado e teve a morte cerebral confirmada por parentes na última sexta-feira, 2/5.

A atriz mirim Millena Brandão, de 11 anos, também teve a morte encefálica confirmada, de acordo com o hospital onde estava internada em São Paulo. A adolescente havia sofrido diversas paradas cardiorrespiratórias nos últimos dias, recebido diagnóstico de tumor cerebral e estava internada desde o dia 29 de maio.

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Em entrevista ao portal RIOS DE NOTÍCIAS, a médica neurologista Taysa Abrahim explicou que a morte cerebral acontece porque o cérebro controla outros órgãos. Quando é constatada sua morte, outras funções vitais também são perdidas e o óbito da pessoa é declarado, não havendo possibilidade de reversão.
“Morte cerebral é o termo que se usa para a perda das funções cerebrais mais básicas, capazes de manter uma pessoa viva. No Brasil, ela é definida e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Um paciente em coma, de causa já conhecida, e que tenha perdido todos os reflexos de tronco encefálico. A morte encefálica é uma condição irreversível, sem tratamento, e por isso mesmo o protocolo para dar este diagnóstico é tão rigoroso”, explicou ela.

A médica ressalta que, apesar de alguns órgãos poderem continuar funcionando, o cérebro já não consegue controlá-los. Assim, embora ainda haja batimentos cardíacos, por exemplo, eles tendem a parar. A respiração também não acontecerá sem a ajuda de aparelhos. Apesar de haver algumas semelhanças com o estado vegetativo, existem diferenças importantes.
“Na morte encefálica, não há nada disso, e trata-se de condição irreversível, depois, os órgãos tendem a parar. Sendo diferente do estado vegetativo, onde o paciente mantém funções básicas preservadas, como respiração e até mesmo controle do ciclo sono e vigília. Comparativamente, é como se fosse uma casa onde as luzes estão acesas, mas não há ninguém em casa para responder. O estado vegetativo tem possibilidade de reversão”, afirmou ela.
Procedimentos após a confirmação
Segundo a neurologista, após o diagnóstico, é realizada a comunicação para os familiares e, em caso de autorização dos parentes, pode ser feita a doação de órgãos.
“Os hospitais têm protocolos próprios para isso. Mas o que acontece em todos, sempre, é a comunicação para a família sobre o significado dessa situação e sua irreversibilidade. Após o estabelecimento da morte encefálica, é possível que algum membro da equipe de captação de órgãos procure a família para conversar, caso seja um paciente candidato a doador, mas eles não participam da abertura de protocolo de ME”, destacou ela.
Doação de órgãos
A Lei dos Transplantes (Lei nº 9.434/1997) estabelece que a doação de órgãos após a morte só pode ser realizada quando constatada a morte encefálica.
Quando isso acontece, as funções vitais do paciente são mantidas de maneira artificial até que a remoção dos órgãos seja feita. Nesses casos, são utilizados medicamentos que mantêm a pressão arterial e aparelhos de ventilação, que simulam a respiração até o transporte dos órgãos.






