Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Moradores do Parque das Tribos, no bairro Tarumã-Açu, zona Oeste de Manaus, reclamam do abandono do poder público em áreas como pavimentação, saneamento básico e segurança. As denúncias foram publicadas nas redes sociais da ativista indígena Vanda Witoto nesta terça-feira, 3/2.
Segundo relatos, ruas da primeira etapa da comunidade estão tomadas pelo lixo e com o asfalto cedendo, dificultando o tráfego de veículos e até de pedestres, especialmente idosos. “A gente tá pedindo socorro”, afirma uma moradora.
Outro ponto crítico é o transporte escolar: devido às condições precárias do asfalto, rotas escolares deixaram de circular na região. “A rota passa às 6h e temos que subir quase um quilômetro para deixar nossos filhos. Quando chove, eles descem a ladeira a pé para voltar para casa”, relata uma moradora.
Leia também: ‘Velha política’ é desafiada: Maria do Carmo questiona adversários sobre hospitais e médicos
Nascentes e drenagem
A comunidade possui diversas nascentes e igarapés, e a solução para os problemas exigiria obras completas de drenagem e travessias adequadas. Há cerca de 15 nascentes na região, e a instalação de apenas bueiros não consegue conter o volume de água.
“Esse bueiro está sendo lançado na nossa nascente, dentro de uma área de proteção ambiental. Está craterando tudo e danificando nossas ruas”, destaca outro morador.
Ainda de acordo com relatos, a drenagem construída para um empreendimento próximo despeja água diretamente na comunidade, agravando erosões, abrindo crateras nas vias e afetando nascentes em área de proteção ambiental.
Negligência e racismo ambiental
A ativista Vanda Witoto afirma que a realidade do bairro é marcada pela negligência do Estado, com ruas inadequadas, ausência de saneamento e falta de serviços essenciais. “A precariedade das vias compromete o acesso a direitos básicos como saúde, educação e segurança, agravando a vulnerabilidade social da população indígena que vive aqui”, afirma.
Segundo ela, moradores enfrentam anos de promessas não cumpridas, evidenciando um “racismo ambiental e institucional” que se reflete na ausência de investimentos estruturais e políticas públicas voltadas ao território.
“A invisibilização histórica do bairro evidencia uma desigualdade que atinge diretamente povos indígenas em contexto urbano, contrariando princípios básicos de dignidade e cidadania”, ressalta.
Apelo à Prefeitura
Vanda Witoto reforça o apelo urgente à Prefeitura de Manaus e a outros órgãos responsáveis para que medidas concretas sejam adotadas, incluindo pavimentação, implantação de saneamento e reforço na segurança pública.
“O primeiro bairro indígena do Amazonas resiste, mas exige respeito, políticas públicas efetivas e o fim do abandono histórico”, conclui.
Sem resposta
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações dos órgãos.






