Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Moradores da comunidade Ismael Aziz, no bairro Tarumã-Açu, atrás de uma invasão localizada à margem da BR-174, denunciam que uma empresa privada iniciou corte raso de vegetação, abriu passagens e avançou com máquinas pesadas em direção a áreas consideradas de preservação permanente.
Segundo denúncia anônima enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a ação ocorreu há pouco mais de duas semanas, por volta de 9h da manhã, e resultou na derrubada de várias moradias que haviam no local. Ele explica que o seu terreno ao lado da invasão também foi afetado e acabou sendo tomado.
“Só escapou umas quatro casas. O resto derrubou tudo”, afirmou a denúncia. Ele explica que a empresa estaria passando cercas próximo a um igarapé da área, abrindo vias para acesso de máquinas e avançando em direção ao que moradores acreditam ser Área de Preservação Permanente (APP).
O morador relata que vivia há quatro anos no local. Segundo ele, durante uma operação anterior de retirada da invasão, representantes teriam afirmado que a área onde sua casa estava localizada não seria derrubada, inclusive realizando uma medição no terreno.
“Falaram que do meu terreno pra baixo não iam quebrar. Uns dias depois voltaram sem autorização e derrubaram tudo”, contou. Com a destruição, ele afirma que teve de deixar o local e hoje vive de aluguel.
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Relato aponta empresa como responsável
Um policial militar que preferiu não se identificar também confirmou à reportagem que a mesma empresa privada estaria executando a terraplanagem e limpeza total do terreno, logo após uma reintegração de posse ocorrida na área no dia 16 de setembro deste ano.
Segundo ele, no momento da ação havia uma máquina em operação fazendo corte raso, e a área afetada fica muito próxima de uma APP onde não é permitida construção. Ele afirma que há placas no local indicando proibição de avanço e advertindo sobre a presença de seguranças.
O policial também aponta que a empresa teria utilizado a confusão da invasão anterior para expandir seus limites no terreno. “Eles aproveitaram a invasão existente para entrar mais fundo no terreno e limpar tudo”.

Além disso, ele relata que tanto o Ipaam, quanto o Batalhão Ambiental, além do próprio 190, foram acionados no momento em que a máquina atuava, mas sem retorno dos órgãos competentes no local.

“A gente aciona os órgãos, mas eles não vêm. O acesso pode ser tanto pela BR-174 quanto pela Travessa Apiacá”, menciona. O mesmo teme que a supressão esteja ocorrendo sem qualquer licença, já que, até o momento, nenhum documento foi apresentado a eles.
Respostas
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e solicitou informações sobre a existência de licença ou autorização para a supressão.
A reportagem perguntou se o órgão foi oficialmente acionado pelos moradores, se realizou vistoria na área, se identificou a empresa responsável pelas intervenções e se há previsão de fiscalização no local.
Por meio de nota, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas informou que, após consulta aos registros internos, não foi protocolada denúncia formal sobre possível supressão ilegal de vegetação na área mencionada.
“Também não foi identificado autorização de intervenção vinculada à descrição do local. O conteúdo encaminhado pela reportagem será enviado às áreas técnicas responsáveis para avaliação e, se necessário, adoção das providências cabíveis, em articulação com os demais órgãos de fiscalização ambiental”, destacou o comunicado.
Ipaam
Como denunciar?
Ainda segundo a nota, o Ipaam destacou que denúncias de crimes ambientais podem ser feitas de forma anônima pelo WhatsApp (92) 98557-9454, da Gerência de Fiscalização Ambiental (Gefa).
Sempre que possível, recomenda-se o envio de fotos e informações precisas, como coordenadas geográficas ou matrículas do imóvel, para facilitar o atendimento do instituto na ocorrência.






