Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O lutador de jiu-jítsu Mica Galvão se pronunciou pela primeira vez sobre o caso envolvendo seu pai, o treinador Melqui Galvão, que foi preso por crimes de abuso sexual contra alunas.
Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, 6/5, o atleta afirmou que se afastou temporariamente para ficar ao lado da família e anunciou o fim da equipe BJJ College.
No início da manifestação, Mica pediu desculpas pela ausência e explicou que optou por um período de recolhimento para apoiar familiares em meio ao momento delicado.
Segundo ele, a prioridade agora é o suporte à família e o enfrentamento emocional da repercussão do caso. “Queria primeiro pedir desculpas a todo mundo por esse tempo em que fiquei meio ausente, de ficar meio recluso para ficar perto da minha família”, declarou.
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Fim da equipe BJJ College
Durante o vídeo, Mica confirmou o encerramento da BJJ College, tradicional equipe de jiu-jítsu ligada à família Galvão. O atleta afirmou que chegou a tentar assumir a responsabilidade pela continuidade do projeto, após a desestruturação do time, em respeito aos atletas e familiares envolvidos.
No entanto, segundo ele, o cenário recente inviabilizou a manutenção da iniciativa. “Eu quis pegar essa responsabilidade e carregar o time comigo, porque eu via as famílias, atletas, todo mundo precisando de um local para treinar”, afirmou.
Mica também revelou que chegou a considerar a criação de uma nova academia, mas decidiu adiar os planos e reconheceu que a decisão foi precipitada.
Apoio às vítimas
O atleta também se manifestou sobre as vítimas envolvidas no caso. Ele afirmou acreditar na Justiça e se colocou à disposição para colaborar dentro de suas possibilidades. “Queria prestar minha solidariedade às vítimas e dizer que, se precisarem de mim, estou dando meu suporte aqui”, disse.
Mica reforçou ainda que aguarda o esclarecimento dos fatos pelas autoridades e destacou que este não é o momento para novos projetos profissionais. “Se precisarem de ajuda com alguma coisa, dentro das minhas possibilidades, estou me disponibilizando”, completou.
Futuro indefinido
Ao encerrar a declaração, Mica não descartou a possibilidade de, no futuro, construir sua própria marca ou academia, mas ressaltou que o foco atual é a família e a reorganização pessoal.
“Eu não nego a possibilidade de, em um futuro, quem sabe algum dia, ter uma marca, uma academia vindo de mim, mas por enquanto creio que não seja o momento”, afirmou.
Quem é Mica Galvão
Considerado um dos principais nomes do Brazilian Jiu-Jítsu (BJJ) na atualidade, Mica Galvão ganhou destaque ao se tornar o faixa-preta mais jovem campeão mundial da IBJJF.
Multicampeão mundial (IBJJF e ADCC), ele é reconhecido pela técnica refinada e pelo estilo agressivo no grappling, acumulando títulos desde as categorias de base.
Natural de Manaus, iniciou no esporte aos dois anos de idade e, aos 18, conquistou o título mundial na categoria peso-leve, tornando-se o mais jovem campeão da história.
Em 2024, alcançou o chamado Grand Slam do jiu-jítsu, vencendo o Campeonato Brasileiro, o Pan-Americano, o Europeu e o Mundial, feito inédito na carreira de um atleta tão jovem.
O caso
As investigações contra Melqui Galvão ganharam força após apuração da Polícia Civil de São Paulo (PC-SP). O inquérito teve início a partir da denúncia de uma aluna de 17 anos, que relatou ter sido abusada durante uma competição no exterior. Outras possíveis vítimas também foram identificadas, incluindo menores de idade.
Figura influente no jiu-jítsu e responsável por uma academia na zona Norte de Manaus, Melqui é pai do multicampeão Mica Galvão.
Em nota, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que o treinador, que possui vínculo com a instituição, foi afastado cautelarmente de suas funções. A Corregedoria instaurou procedimento para apurar as irregularidades.
A corporação reforçou que não compactua com desvios de conduta e reafirmou compromisso com a legalidade. O caso também foi tema de reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, no último domingo, 3.






