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Home Cultura

MAWÉ: os desafios de um mergulho na ancestralidade com terror psicológico urbano

O filme propõe uma imersão profunda em um universo onde o real e o simbólico se confundem, explorando os limites da sanidade e da sobrevivência

17 de maio de 2025
em Cultura
Tempo de leitura: 8 min
MAWÉ os desafios de um mergulho na ancestralidade com terror psicológico urbano

MAWÉ levou 12 anos para ser concluído, refletindo os desafios de produzir cinema de qualidade na Amazônia - Foto: (Divulgação/Assessoria MAWÉ)

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Lauris Rocha – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – MAWÉ – O Filme, é um longa-metragem escrito, produzido e dirigido pelo amazonense Jimmy Christian. Com um elenco plural e uma trama visceral, a estreia será no dia 28 de maio, às 20h, no Teatro Amazonas. A entrada é gratuita, mediante a confirmação via e-mail: maweofilme@gmail.com.

A obra mergulha no universo do terror psicológico e do thriller urbano, abordando temas como violência, drogas, sexo, ancestralidade e desaparecimentos. A narrativa tensa e simbólica transita entre o caos da cidade e o silêncio ancestral da floresta, criando uma atmosfera carregada de mistério, espiritualidade e colapso emocional. A classificação indicativa é de 18 anos.

O portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com o diretor Jimmy Christian sobre os desafios enfrentados nesta superprodução que marca a história do cinema genuinamente amazonense.

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Leia também: ‘Prefiro ver esses jovens se espelhando na arte que no crime’, diz diretor amazonenses sobre cinema na favela

MAWÉ levou 12 anos para ser concluído, refletindo os desafios de produzir cinema de qualidade na Amazônia.

“A falta de orçamento contribuiu para a demora. Fazer cinema no Amazonas não é fácil. Escrevi o roteiro em 2013, achando que poderia realizá-lo com recursos próprios. Tentamos, fracassamos, mas não desistimos. A história ficou engavetada até que, com a pandemia, surgiram os editais de incentivo à cultura. Por sorte, o filme foi aprovado e agora está pronto. E o mais incrível: será exibido no majestoso Teatro Amazonas. É uma grande honra. Depois, o filme segue para o mundo”, celebrou o diretor.

Diretor Jimmy Christian – Foto: (Divulgação/Assessoria MAWÉ)

Desde o início, Jimmy contou com colaboradores e profissionais que acreditaram no projeto. Durante as filmagens, momentos marcantes exigiram ainda mais resiliência.

“A pandemia da Covid-19 foi um grande desafio. Tivemos que nos proteger com vacinas e esconder as máscaras para que não aparecessem nas cenas”, lembrou.

O diretor revelou a REPORTAGEM que filmar na Amazônia impôs obstáculos logísticos consideráveis: “Se você não tiver sagacidade para lidar com logística, a produção não anda. Ficamos a poucos pontos de conquistar a categoria de longa-metragem no prêmio Paulo Gustavo, mas conseguimos verba para a distribuição, e tudo foi investido em MAWÉ”, explicou Jimmy.

MAWÉ

O filme propõe uma imersão profunda em um universo onde o real e o simbólico se confundem, explorando os limites da sanidade e da sobrevivência.

O protagonista Mawé é interpretado por Afrânio Pires na fase adulta e por Bruno Castro na juventude. Dividido entre sua origem indígena e a vida na cidade, o personagem entra em uma espiral de identidade e trauma.

Alice Toledo vive Luciana Sarkys, uma mulher apaixonada por arte cujo desaparecimento impulsiona os eventos da trama. Márcia Vinagre dá vida a Lizzy, uma figura instintiva e poderosa com forte presença em cena.

Bruno Castro interpreta MAWÉ na juventude – Foto: (Divulgação/Assessoria MAWÉ)

O elenco também conta com Christian Belloto (Timoty), Raquel Oliveira (a excêntrica babá Barbie) e Max Caracol (o policial Paulo Dantas). A investigação sobre o desaparecimento de Luciana é conduzida pelo delegado Lopes Maciel, vivido por Rômulo Moreira, e ganha novos contornos com o depoimento da personagem Karina Cardoso, interpretada por Laura Castello.

Participações especiais de Marcos Ney, Aline Caminha e do coletivo Patins Tradicional Manaus ajudam a compor uma ambientação urbana marcada por tensão, delírio e contrastes.

“A escolha do elenco foi um processo muito orgânico. Eu quis abrir espaço para quem está começando e muitas vezes não tem visibilidade nos grandes projetos. Trabalhar com pessoas LGBTQIAPN+, indígenas da comunidade Sahu Apê, e artistas locais talentosos que carecem de oportunidades foi uma decisão consciente, ética e afetiva”, destacou Jimmy Christian.

Lei Paulo Gustavo e o cinema autoral amazônico

MAWÉ – O Filme, é uma obra que provoca e inquieta. Sua proposta estética é ousada e não poupa o espectador: cenas intensas, personagens complexos e um subtexto permeado por crítica social atravessam toda a narrativa. Trata-se de um longa que exige maturidade emocional — sem concessões, mas carregado de força simbólica e poética.

O filme é uma produção da Artecontemporaneapura Films, em coprodução com La Xunga Produções e Picote Produções. O projeto foi contemplado pelo edital da Lei Paulo Gustavo 2023, o que permitiu a realização de um cinema autoral, com elenco diverso e uma forte aposta em talentos da cena amazônica.

Afrânio Pires é MAWÉ na fase adulta – Foto: (Divulgação/Assessoria MAWÉ)

O apoio da Lei possibilitou a construção de um filme mais acessível e representativo: “É sobre construir pontes, não muros. O resultado é um filme mais vivo, mais honesto, mais nosso”, afirmou o diretor.

Sobre a estreia, Jimmy revelou: “Não sei qual será a reação do público ou dos jurados em festivais, mas sei que o filme toca em temas muito sensíveis. A Artecontemporaneapura Films gosta de mostrar a realidade de forma nua e crua. Embora seja uma ficção, é um filme independente, sem preocupações com o politicamente correto. As pessoas podem amar ou odiá-lo.”

Após a pré-estreia no Teatro Amazonas, no dia 28/5, o longa seguirá para exibições no circuito manauara, passando por espaços como: Cine Casarão das Ideias, Cine Carmem Miranda, Cine Tarumã — UFAM, Cine Guarani, Cine Gebes Medeiros, Cine Aldeia , nas Universidades e Faculdades de Manaus.

Tags: AmazonasancestralidadeCultura amazonenseJimmy ChristianManausMAWÉTeatro Amazonasterror psicológico urbano

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