Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – MAWÉ – O Filme, é um longa-metragem escrito, produzido e dirigido pelo amazonense Jimmy Christian. Com um elenco plural e uma trama visceral, a estreia será no dia 28 de maio, às 20h, no Teatro Amazonas. A entrada é gratuita, mediante a confirmação via e-mail: maweofilme@gmail.com.
A obra mergulha no universo do terror psicológico e do thriller urbano, abordando temas como violência, drogas, sexo, ancestralidade e desaparecimentos. A narrativa tensa e simbólica transita entre o caos da cidade e o silêncio ancestral da floresta, criando uma atmosfera carregada de mistério, espiritualidade e colapso emocional. A classificação indicativa é de 18 anos.
O portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com o diretor Jimmy Christian sobre os desafios enfrentados nesta superprodução que marca a história do cinema genuinamente amazonense.
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MAWÉ levou 12 anos para ser concluído, refletindo os desafios de produzir cinema de qualidade na Amazônia.
“A falta de orçamento contribuiu para a demora. Fazer cinema no Amazonas não é fácil. Escrevi o roteiro em 2013, achando que poderia realizá-lo com recursos próprios. Tentamos, fracassamos, mas não desistimos. A história ficou engavetada até que, com a pandemia, surgiram os editais de incentivo à cultura. Por sorte, o filme foi aprovado e agora está pronto. E o mais incrível: será exibido no majestoso Teatro Amazonas. É uma grande honra. Depois, o filme segue para o mundo”, celebrou o diretor.

Desde o início, Jimmy contou com colaboradores e profissionais que acreditaram no projeto. Durante as filmagens, momentos marcantes exigiram ainda mais resiliência.
“A pandemia da Covid-19 foi um grande desafio. Tivemos que nos proteger com vacinas e esconder as máscaras para que não aparecessem nas cenas”, lembrou.
O diretor revelou a REPORTAGEM que filmar na Amazônia impôs obstáculos logísticos consideráveis: “Se você não tiver sagacidade para lidar com logística, a produção não anda. Ficamos a poucos pontos de conquistar a categoria de longa-metragem no prêmio Paulo Gustavo, mas conseguimos verba para a distribuição, e tudo foi investido em MAWÉ”, explicou Jimmy.
MAWÉ
O filme propõe uma imersão profunda em um universo onde o real e o simbólico se confundem, explorando os limites da sanidade e da sobrevivência.
O protagonista Mawé é interpretado por Afrânio Pires na fase adulta e por Bruno Castro na juventude. Dividido entre sua origem indígena e a vida na cidade, o personagem entra em uma espiral de identidade e trauma.
Alice Toledo vive Luciana Sarkys, uma mulher apaixonada por arte cujo desaparecimento impulsiona os eventos da trama. Márcia Vinagre dá vida a Lizzy, uma figura instintiva e poderosa com forte presença em cena.

O elenco também conta com Christian Belloto (Timoty), Raquel Oliveira (a excêntrica babá Barbie) e Max Caracol (o policial Paulo Dantas). A investigação sobre o desaparecimento de Luciana é conduzida pelo delegado Lopes Maciel, vivido por Rômulo Moreira, e ganha novos contornos com o depoimento da personagem Karina Cardoso, interpretada por Laura Castello.
Participações especiais de Marcos Ney, Aline Caminha e do coletivo Patins Tradicional Manaus ajudam a compor uma ambientação urbana marcada por tensão, delírio e contrastes.
“A escolha do elenco foi um processo muito orgânico. Eu quis abrir espaço para quem está começando e muitas vezes não tem visibilidade nos grandes projetos. Trabalhar com pessoas LGBTQIAPN+, indígenas da comunidade Sahu Apê, e artistas locais talentosos que carecem de oportunidades foi uma decisão consciente, ética e afetiva”, destacou Jimmy Christian.
Lei Paulo Gustavo e o cinema autoral amazônico
MAWÉ – O Filme, é uma obra que provoca e inquieta. Sua proposta estética é ousada e não poupa o espectador: cenas intensas, personagens complexos e um subtexto permeado por crítica social atravessam toda a narrativa. Trata-se de um longa que exige maturidade emocional — sem concessões, mas carregado de força simbólica e poética.
O filme é uma produção da Artecontemporaneapura Films, em coprodução com La Xunga Produções e Picote Produções. O projeto foi contemplado pelo edital da Lei Paulo Gustavo 2023, o que permitiu a realização de um cinema autoral, com elenco diverso e uma forte aposta em talentos da cena amazônica.

O apoio da Lei possibilitou a construção de um filme mais acessível e representativo: “É sobre construir pontes, não muros. O resultado é um filme mais vivo, mais honesto, mais nosso”, afirmou o diretor.
Sobre a estreia, Jimmy revelou: “Não sei qual será a reação do público ou dos jurados em festivais, mas sei que o filme toca em temas muito sensíveis. A Artecontemporaneapura Films gosta de mostrar a realidade de forma nua e crua. Embora seja uma ficção, é um filme independente, sem preocupações com o politicamente correto. As pessoas podem amar ou odiá-lo.”
Após a pré-estreia no Teatro Amazonas, no dia 28/5, o longa seguirá para exibições no circuito manauara, passando por espaços como: Cine Casarão das Ideias, Cine Carmem Miranda, Cine Tarumã — UFAM, Cine Guarani, Cine Gebes Medeiros, Cine Aldeia , nas Universidades e Faculdades de Manaus.






