Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O número de mulheres que engravidam após os 30 anos tem aumentado no Brasil nas últimas duas décadas. Um exemplo dessa tendência é a jornalista Mariana Rocha, que se tornou mãe aos 44 anos e hoje encara os desafios diários de um “amor inexplicável”.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, Mariana contou que, antes de engravidar, havia priorizado a carreira e só aos 42 anos se sentiu preparada para realizar o sonho da maternidade.
“Eu sempre tive o desejo de ser mãe, mas quando era mais nova, fui adiando esse sonho para priorizar minha carreira. Comecei como repórter, depois fui apresentadora, e o tempo foi passando. Um dia, vi meu marido triste e percebi o quanto ele queria ser pai. O alerta final veio da minha ginecologista”, relatou ela.
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Superação e gravidez
Mariana também compartilhou as dificuldades que enfrentou antes de engravidar, incluindo o diagnóstico de endometriose, condição que afeta o tecido que reveste o útero e que exigiu cirurgia.
“Foi realmente muito difícil. Passei um ano tentando sem sucesso. Fiz uma ressonância da pelve e o exame detectou a endometriose. Fica até um alerta para as mulheres: cólicas fortes e fluxo intenso não são normais. Conseguir engravidar e depois, a minha prioridade passou a ser meu filho e minha família”, destacou Mariana.

Maturidade e pressão social
A jornalista observa que a decisão pela maternidade tardia exige autoconhecimento, já que há muita pressão externa. No entanto, com maturidade, ser mãe pode se tornar uma experiência ainda mais significativa.
“Enfrentei uma pressãozinha da família e amigos. Em eventos, sempre surgia a pergunta, ‘o bebê não vem?’. Acho que dificilmente uma mulher com a idade já mais avançada escapa dessa pressão. Mas a maturidade faz diferença. Hoje sou outra mulher, mais consciente, sei o que quero e defini minhas prioridades”, afirmou ela.
Para a terapeuta psicanalista Samiza Soares, a pressão social e familiar pode ser intensa para quem decide adiar a maternidade, e o conhecimento de si mesmo se torna essencial.
“Muitas mulheres, mesmo sendo bem resolvidas, se sentem pressionadas. Apesar das conquistas, a ausência da maternidade ainda é vista por alguns como um vazio. É preciso estar bem internamente. Esse equilíbrio faz toda a diferença, com ou sem gravidez”, afirmou a terapeuta.

Mariana aconselha outras mulheres que desejam ser mães após os 40 a evitarem idealizações e encararem a maternidade com consciência.
“Você precisa ter certeza do que quer, estar preparada para aquele momento, seja com 25, 30 ou 40 anos. Sim, é mais difícil com a idade, mas não é impossível. Eu sou prova disso. José Augusto chegou no melhor momento da minha vida”, declarou a jornalista.

Decisão consciente
Segundo Samiza, as mulheres que escolhem engravidar mais tarde podem enfrentar sentimentos complexos, como ansiedade, medo, culpa e dúvidas relacionadas ao tempo e à saúde. Por isso, o processo deve ser consciente e bem trabalhado emocionalmente.
“Essa escolha vem carregada de sentimentos. Tem maturidade, mas também preocupações com saúde e energia para acompanhar o filho. A mulher precisa se libertar da ideia de que tem que seguir normas impostas pela sociedade, porque isso também gera angústia, mesmo quando há paz na decisão tomada”, disse a terapeuta.
Ela ainda enfatiza a importância da preparação emocional antes da gravidez.
“Convido essas mulheres a se ouvirem com profundidade. Perguntem a si mesmas: por que quero ser mãe agora? O que espero dessa experiência? Quais os meus medos e expectativas?’. Escrevam, reflitam. Trabalhar a autocompaixão é essencial, porque a maternidade transforma tudo”, completou ela.
Mudança no perfil da maternidade na região Norte
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022, o comportamento reprodutivo das mulheres brasileiras tem passado por mudanças significativas, principalmente na região Norte.
Um dos destaques é o adiamento da maternidade. A idade média das mães passou de 25 anos em 2000 para 27 anos em 2020, com projeção de alcançar entre 31 e 35 anos até 2070, uma tendência de postergação da maternidade em todo o país.
Apesar de a região Norte ainda apresentar a maior taxa de fecundidade do Brasil em 2022 (1,83 filho por mulher), acompanha o movimento nacional de queda contínua. Segundo o IBGE, isso se deve à urbanização, maior acesso à educação, inserção da mulher no mercado de trabalho e mais opções de métodos contraceptivos.

Essas transformações indicam que as mulheres nortistas também estão priorizando outros projetos de vida antes da maternidade.






