Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus (Sindfeira) protocolou nesta quarta-feira, 16/4, uma representação solicitando a cassação dos vereadores Coronel Rosses (PL) e Sargento Salazar (PL) por suposta quebra de decoro parlamentar.
O documento, enviado ao presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), David Reis (Avante), relata incidentes ocorridos em 25 de março de 2025, durante fiscalização na Feira da Banana, no Centro, onde os parlamentares teriam agido de forma agressiva contra feirantes e servidores públicos.
Em resposta, a assessoria do vereador Sargento Salazar divulgou nota afirmando que o parlamentar ainda não foi formalmente notificado sobre qualquer denúncia. O texto defende que a ação fiscalizatória foi conduzida dentro das prerrogativas legais do mandato e classificou as acusações como “manobra política” para distorcer os fatos.
“Causa estranheza a tentativa de criar uma narrativa que não condiz com a realidade”, diz trecho da nota, que reafirma o compromisso do vereador com a legalidade.
Coronel Rosses também afirma não ter sido notificado e, por meio de nota, declarou a representação como “uma cortina de fumaça para desviar o foco do que realmente importa: a apuração de dívidas bilionárias contraídas pela gestão do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante)”, em referência ao caso da CPI dos Empréstimos.
O caso
A denúncia envolve a reintegração de posse de um box público na Feira da Banana, determinada pela Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc). O caso ganhou repercussão após a feirante Veriana Maia Negreiro recorrer à Justiça, que considerou irregular a apreensão de seus equipamentos e a falta de direito à ampla defesa.
Segundo testemunhas, os vereadores intervieram no procedimento com atitudes que incluíram ameaças verbais, exibição de armas e agressão ao advogado da Semacc. O sindicato argumenta que as condutas violam o Código de Ética da CMM e a Lei Orgânica do Município, citando como precedente o caso do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ). A representação pede investigação, oitiva de testemunhas e, se comprovada a quebra de decoro, a cassação dos mandatos.
Próximos passos
A Mesa Diretora da CMM deverá analisar o pedido e decidir sobre seu encaminhamento ao Conselho de Ética. Enquanto isso, o caso promete acirrar os ânimos no legislativo municipal, já que os vereadores envolvidos são conhecidos por posturas críticas à gestão.
A CMM foi procurada para se manifestar, mas não responderam até o fechamento desta matéria.






