Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A capital amazonense amanheceu nesta quinta-feira, 8/10, sob uma das piores condições de qualidade do ar registradas neste ano. Desde a noite de quarta-feira, 7, a fumaça “invadiu” diferentes áreas da capital, provocando forte cheiro de queimado e deixando o céu esbranquiçado em vários pontos.
O monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), identificou concentração de até 490,1 microgramas de partículas finas PM2,5 por metro cúbico durante a madrugada.
O índice é 71% superior ao pior resultado registrado anteriormente em 2026 e levou a qualidade do ar à classificação “péssima”.

O pico registrado também ficou mais de 32 vezes acima da concentração de 15 µg/m³ recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como referência para a média de 24 horas de PM2,5.
Imagens registradas durante a noite e a madrugada mostraram a grande quantidade de fumaça sobre a cidade. A fumaça reduziu a visibilidade em diferentes pontos de Manaus e atingiu áreas de diversas regiões da cidade. Estações instaladas nas zonas Leste, Sul, Oeste e Centro-Sul registraram níveis considerados “péssimos” ou “muito ruins”.
Fumaça tomou conta da capital durante a noite
O agravamento da qualidade do ar ocorreu principalmente durante a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira.
Além do forte cheiro de queimado relatado em diferentes pontos da cidade, imagens registradas por moradores mostraram o céu coberto por uma camada de fumaça, com aspecto esbranquiçado devido à concentração de poluentes.
Nas primeiras horas da manhã, além do pico de 490,1 µg/m³, o SELVA registrou concentrações de 485,1 µg/m³, 393,1 µg/m³, 354,3 µg/m³ e 341,4 µg/m³ em outros pontos de Manaus.
Os números mostram que o problema não ficou restrito a uma única área. Das 15 estações apresentadas no mapa ambiental, 11 registravam classificação “péssima”.
Entre os locais com maiores concentrações estavam Armando Mendes/Coroado, com 199,6 µg/m³, e Puraquequara, com 188,1 µg/m³.
Também foram registrados níveis “péssimos” no Morro da Liberdade/Educandos (147,5 µg/m³); Chapada/Parque 10 (143,8 µg/m³); São Jorge/Compensa (141,5 µg/m³); e Distrito Industrial I/Crespo (139,3 µg/m³).
A lista inclui ainda Zumbi dos Palmares/Distrito Industrial II (137,7 µg/m³); Coroado (137,4 µg/m³); Nossa Senhora das Graças/Petrópolis (133,9 µg/m³); Coroado/Armando Mendes (131,1 µg/m³); e Aparecida/Centro (125 µg/m³).
Amazonas registra aumento dos focos de calor


O agravamento da qualidade do ar ocorre ainda em um momento de aumento dos focos de calor no Amazonas, dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam 554 focos nos primeiros dias de outubro, o dobro do registrado no mesmo período de 2025.
A combinação entre incêndios urbanos, queimadas no interior e condições atmosféricas podem favorecer a concentração de poluentes para o avanço da fumaça sobre a capital.
As partículas PM2,5 são especialmente preocupantes porque possuem tamanho muito pequeno e podem penetrar profundamente no sistema respiratório.
Em concentrações elevadas, a exposição pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse, coriza, dor de cabeça, tontura, chiado no peito e falta de ar, além de agravar problemas respiratórios já existentes.
Cuidados
Durante os períodos de maior concentração de poluentes, a orientação é evitar atividades físicas ao ar livre, como corrida, caminhada e ciclismo. A população também deve manter a hidratação e proteger olhos e nariz.
Quando a exposição for inevitável, máscaras adequadas, como a N95, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas.
Em casos leves, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde. Se houver sintomas mais intensos ou dificuldade para respirar, a recomendação é buscar atendimento de urgência. Em situações de emergência, o Samu deve ser acionado pelo telefone 192.
A população também pode denunciar queimadas e ocorrências ambientais à Guarda Municipal pelo 153. Ao registrar a denúncia, é importante informar o endereço completo, horário da ocorrência e, quando possível, enviar imagens do local.






