Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Manaus foi a capital da Região Norte que mais cresceu em população nos últimos 25 anos e aparece como a terceira cidade brasileira com o maior aumento absoluto de habitantes neste século.
Entre 2000 e 2025, a capital amazonense ganhou 899.936 moradores, ficando atrás apenas de São Paulo, que somou 1.499.094 pessoas e Brasília, 953.730, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O avanço demográfico coloca Manaus à frente de capitais como Rio de Janeiro, Fortaleza e Goiânia.
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Além de atrair moradores de outras regiões do país, a capital amazonense também concentra uma parcela significativa da população do interior do Estado, impulsionada pela busca por emprego, educação e acesso a serviços de saúde.
Nas últimas duas décadas, a capital avançou para novas áreas urbanas, ampliou bairros periféricos e passou a enfrentar desafios cada vez maiores relacionados à habitação, saneamento básico e infraestrutura.
Migração e atração populacional
O processo de crescimento urbano de Manaus foi analisado pelo geógrafo Thiago Oliveira Neto, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Segundo o especialista em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o principal desafio não está apenas no aumento da população, mas na forma como a expansão urbana é acompanhada pelas políticas públicas.
“A questão central não está no crescimento demográfico em si, mas na forma como essa expansão populacional e urbana tem sido conduzida no âmbito das políticas públicas”
Thiago Oliveira Neto, geógrafo

Segundo o especialista, o crescimento da capital amazonsense é impulsionado, principalmente, pela indústria e o setor de serviços, além do acesso a saúde e educação.
“Esses elementos tornam a cidade um importante polo de atração populacional, especialmente porque muitos municípios da Amazônia apresentam uma oferta de empregos e de serviços públicos muito baixa”, destacou.
Crescimento urbano e falta de infraestrutura
Para o geógrafo, o aumento populacional de Manaus não representa, por si só, um problema. O desafio está na capacidade do poder público de acompanhar o ritmo da expansão urbana.


O professor lembra que esse movimento não é recente e acontece desde a implantação da Zona Franca de Manaus, na década de 1960, quando a capital passou a atrair milhares de pessoas em busca de emprego.
No entanto, o investimento em habitação, mobilidade, saneamento, abastecimento de água, drenagem, segurança e tratamento de esgoto não chegou perto de acompanhar o ritmo da ocupação da cidade.
“O grande desafio é que as políticas habitacionais, de infraestrutura urbana e de serviços públicos não acompanharam esse ritmo de crescimento, seja pela insuficiência de investimentos, seja por limitações no planejamento urbano”, afirmou.
Segundo o pesquisador, a expansão da cidade ocorreu principalmente em áreas periféricas, enquanto a infraestrutura urbana não avançou no mesmo ritmo das novas ocupações.

Para Thiago, é necessário que os governos estadual e municipal ampliem investimentos e fortaleçam políticas públicas voltadas ao planejamento urbano, à habitação e aos serviços essenciais.
Para ilustrar esse cenário, o especialista recorre ao conceito de “cidadania mutilada”, do geógrafo Milton Santos, que descreve uma realidade em que parte da população urbana ainda não consegue acessar plenamente direitos básicos.






