Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma pesquisa recente do Observatório de Segurança no Trabalho colocou Manaus na 12ª posição entre as capitais brasileiras com o maior número de acidentes de trabalho. Com 71.942 registros entre 2012 e 2022, a capital amazonense lidera o ranking na Região Norte, destacando-se com uma diferença significativa em relação a outras cidades da região, como Belém (60.410 acidentes) e Porto Velho (28.018 acidentes).
O levantamento aponta que, em média, uma pessoa sofre um acidente de trabalho a cada 72 minutos em Manaus. Além disso, a cidade registrou 451 óbitos no período, o que significa que um trabalhador morreu a cada 8 dias devido a acidentes laborais.


Luís Cláudio, Presidente da Associação Amazonense dos Engenheiros de Segurança do Trabalho (AAMEST), explica que a alta taxa de acidentes em Manaus está ligada à falta de fiscalização e equipamentos de proteção individual (EPIs) inadequados. Ele ressalta que o processo de fiscalização, de responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego, é inviabilizado pela escassez de fiscais. “Imagine fiscalizar todas as empresas do estado com três ou quatro fiscais. É praticamente impossível”, comenta Cláudio.
O especialista também destaca a falta de qualificação e investimento em segurança do trabalho como fatores críticos. “Segurança não é custo, é investimento. Empresas que possuem uma cultura sólida de segurança e profissionais bem preparados têm menor índice de acidentes”, afirma.
O professor universitário e engenheiro civil, Varlem Bastos, reforça a importância de hábitos básicos de segurança, como o uso de EPIs e a adesão a medidas de controle estabelecidas pelas empresas. Ele enfatiza que a segurança no trabalho deve ser uma política governamental, com investimentos em fiscalização e práticas preventivas para reduzir custos com doenças ocupacionais e aposentadorias por invalidez.
Outro dado alarmante é o custo com afastamentos temporários devido a acidentes de trabalho. Desde 2012, o Brasil gastou mais de R$ 155 bilhões com esses afastamentos, o que equivale a R$ 1 a cada 2 milissegundos. Bastos salienta que a demanda por profissionais de segurança do trabalho está crescendo, impulsionada pelas constantes atualizações das normas regulamentadoras.
Zona Franca impulsiona
A Zona Franca de Manaus, com mais de 500 empresas nos setores de Duas Rodas, Concentrados de Bebidas, Termoplástico e Metalúrgico, destaca-se como um dos principais polos para esses profissionais. A Norma Regulamentadora 4 (NR4) define a obrigatoriedade de contratação de técnicos em segurança do trabalho, dependendo do nível de risco de cada empresa. “A demanda está cada vez mais alta, e o profissional deve estar atualizado com os requisitos do mercado para aproveitar as oportunidades”, conclui Bastos.






