Redação Rios
RIO – O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry Borel, de 4 anos. A decisão foi proferida pelo II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro na madrugada desta quinta-feira, 4/6, após 11 dias de julgamento, o mais longo da história do estado.
A mãe do menino, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio por omissão desclassificada para tortura por omissão. Como a pena já havia sido cumprida, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial e determinou sua soltura.
A defesa de Jairinho e o Ministério Público informaram que vão recorrer da decisão.
Além da condenação criminal, Jairinho deverá pagar R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel.
Ao justificar a decisão em relação a Monique, a magistrada afirmou que ela foi alvo de julgamentos excessivos ao longo do processo e de uma intensa exposição pública.
“Desde a investigação, Monique não mereceu o benefício da dúvida e, ao longo do processo, embora fosse apontada como mãe zelosa e não tivesse sido acusada de infligir diretamente agressões físicas ao filho, a revolta evoluiu rapidamente para um massacre nas redes sociais”, afirmou a juíza durante a leitura da sentença.
Elizabeth Machado Louro também destacou que Monique foi alvo de misoginia e de uma perseguição constante durante os cinco anos de tramitação do caso.
“Incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho, para o que, de resto, não contribuiu intencionalmente, viu-se alvo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra sua honra e autoestima como mãe”, declarou.
Condenação de Jairinho
Os jurados reconheceram a responsabilidade de Jairinho pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura contra Henry Borel em um dos episódios apresentados pela acusação. Ele foi absolvido em relação a outras duas acusações de tortura.
Segundo o Ministério Público, Jairinho agia de forma sádica e cruel dentro do apartamento onde vivia com Monique, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A acusação sustentou que a morte de Henry, causada por uma laceração hepática, foi resultado direto de agressões físicas sofridas pelo menino em 8 de março de 2021.
Com a autoria do crime atribuída a Jairinho, a acusação concentrou esforços em demonstrar que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho e deixou de agir para protegê-lo.
Acusação e defesa divergem sobre responsabilidade de Monique
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que Monique sabia da violência praticada contra Henry e optou por não impedir as agressões. Os promotores rejeitaram a tese de que ela seria uma mãe subjugada ou alheia ao que ocorria dentro de casa.
O promotor Fábio Vieira classificou Jairinho como “um psicopata” e Monique como “uma narcisista”.
“Quando a gente olha e se debruça nesse processo, a gente vê os gritos desse garoto pedindo socorro para a mãe”, afirmou.
O assistente de acusação Cristiano Medina também argumentou que Monique tinha conhecimento do comportamento do então namorado. “Monique soube desde o início quem era o Jairo”, declarou.
Já a defesa da professora sustentou que ela desconhecia as agressões praticadas contra o filho e criticou o que classificou como tentativa de associar sua conduta pessoal à responsabilidade criminal.
A advogada Florence Rosa afirmou que a acusação se apoiou em estereótipos relacionados ao comportamento e à aparência de Monique. “Tudo o que eles vêm aqui falar para os senhores é sobre a roupa que ela usava, sobre o fato de ela ter ido à academia”, argumentou.
Monique aponta Jairinho como responsável
Em depoimento ao júri, Monique acusou Jairinho pela morte do filho pela primeira vez desde o início do caso.
“Eu acho que foi, eu creio que foi. Hoje, pelo modus operandi dele, pelas ex-namoradas, pelos filhos, sim, eu acredito que pode ter sido ele”, afirmou.
Mensagens da babá foram peça central
Um dos pontos centrais do julgamento foi a troca de mensagens entre a babá Thayná de Oliveira Ferreira e Monique Medeiros em 12 de fevereiro de 2021, menos de um mês antes da morte de Henry.
Para a acusação, as mensagens demonstravam que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho. Já a defesa argumentou que o conteúdo não comprovava que ela soubesse da violência praticada por Jairinho.
Na conversa, Thayná relatou que Jairinho havia se trancado em um quarto com Henry e aumentado o volume da televisão. Posteriormente, informou que o menino saiu chorando, mancando e com um “galo” na cabeça. Monique respondeu demonstrando preocupação e afirmou que retornaria para casa.
Jairinho nega agressões
Em depoimento prestado durante o julgamento, Jairinho negou ter agredido Henry e contestou o relato da babá.
“Eu não fiz isso com o Henry. A Monique sabe, o pai, a mãe e o irmão da Monique sabem. O pai do Henry sabe que eu não fiz nada com o menino”, afirmou.
O ex-vereador declarou ainda que a investigação se baseou na interpretação da babá sobre fatos que, segundo ele, nunca ocorreram. “Minha vida está destruída por causa de prints que pegaram da babá”, disse.
*Com informações da Agência Estado






