Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A tribo indígena Marubo, da Amazônia, está processando o jornal americano New York Times e outros veículos por difamação. A ação judicial pede pelo menos US$ 180 milhões em danos por cada parte envolvida.
O motivo é uma reportagem que, segundo os líderes da comunidade, fez parecer que os jovens da tribo se tornaram viciados em pornografia após ganharem acesso à internet via Starlink, empresa do bilionário Elon Musk.
O processo, que chega a R$ 1 bilhão em indenização, menciona a reportagem do NYT, que mostrava desafios da atualidade, como adolescentes grudados em celulares, videogames e acesso à pornografia dentro da aldeia.
Leia também: X, de Elon Musk, apresenta instabilidade neste sábado
Enoque Marubo e Flora Dutra, que ajudaram a levar internet à tribo e estão entre os que moveram o processo, dizem ter sido injustamente culpados por uma suposta “decadência moral“, apesar dos avanços em saúde e educação na tribo.
O jornal depois publicou outro artigo negando que tenha afirmado que os Marubo eram viciados em conteúdo adulto, mas a tribo afirma que o dano já estava feito.
“As declarações [na reportagem] não eram somente de difamação, mas transmitiam ao leitor que o povo Marubo tinha pouca moral”, diz a ação judicial movida na quinta-feira, 22.
Segundo os autores da ação, a repercussão causou humilhação, assédio e colocou a segurança dos Marubo em risco. O NYT declarou que pretende se defender e que sua reportagem foi sensível ao mostrar os impactos da tecnologia em uma comunidade isolada.
Vale ressaltar que o Vale do Javari, território onde vivem os Marubo, abrange os municípios de Atalaia do Norte e Guajará, na fronteira com Colômbia e Peru. A região é uma das maiores terras indígenas do Brasil, caracterizada por extensa área de floresta amazônica.






