Júlio Gadelha – Rios de Notícias
PARINTINS (AM) – O mestre Jair Mendes, uma das figuras mais emblemáticas do Festival de Parintins, faleceu neste sábado, 15/3, aos 82 anos. A informação foi confirmada pela Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido, por meio de nota assinada pelo presidente Fred Góes.
Jair Mendes foi o responsável por dar vida ao Boi Garantido, criando movimentos reais, pintando o coração de vermelho e introduzindo a movimentação das alegorias no festival.
Em nota, o Boi Garantido prestou homenagem ao mestre: “Que sua passagem seja tão serena quanto o seu sorriso, e que os corações de familiares e amigos encontrem o conforto necessário neste momento de dor. Sua arte e seu legado permanecerão eternos em nossos corações, na nossa cultura e na história do Festival.”
As circunstâncias da morte ainda não foram divulgadas, mas Jair enfrentava problemas de saúde. No ano passado, foi internado na UTI por insuficiência respiratória e também realizava tratamento de hemodiálise devido a problemas renais.
Legado de Jair
Grande parte do que é apresentado hoje pelos bois-bumbás em Parintins foi criação de Jair Mendes. Ele influenciou todas as gerações de artistas do festival, tanto do Garantido quanto do Caprichoso, recebendo reverência de todos que reconhecem sua revolução no evento.
No início dos anos 1970, após conhecer o carnaval do Rio de Janeiro, Jair voltou a Parintins determinado a inserir alegorias no festival, mas com um “toque parintinense”. Criou as primeiras obras para o evento e, anos depois, desenvolveu estruturas com movimento, utilizando engrenagens manuais, uma técnica que posteriormente foi levada ao Rio de Janeiro.
Jair chegou a ser presidente do Boi Garantido no início dos anos 1990. Ele também foi o responsável por fazer o “boi de pano” ganhar movimentos, como mexer a cabeça, rabo e orelhas. Essa técnica, criada nos anos 1980, ficou conhecida como “Boi Biônico”, em referência ao seriado norte-americano “O Homem Biônico”, popular na época. As inovações foram introduzidas inicialmente no “Boi do Povão”.






