Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Hip Hop tem se destacado cada vez mais nas cenas culturais e desportivas mundo afora. Em Manaus, há quatro décadas, essa cultura urbana revelou grande talentos do Rap, Grafite, DJs, MCs e Street Dance.
Surgido nas periferias da capital, mas encontrando espaço para suas manifestações também no Centro da cidade, o Hip Hop em Manaus saiu das ruas e ganhou a academia, indo parar nas universidades, levado por integrantes que se tornaram acadêmicos.
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Richard Adriano de Souza, também conhecido como Adriano Art96, ou simplesmente Art, é pioneiro no Movimento Hip Hop Manaus (MHM), que completa 30 anos em 2024, e um dos seus líderes de 1997 a 2013.
“Essas modalidades se consolidam como espaços sociais de politização, de diversão, de construção de uma identidade individual e coletiva, de reivindicação de demandas da sociedade. Essa é a essência do movimento Hip Hop”.
Art96
Recentemente, o breakdancer lançou o livro “Hip Hop Manaus Anos 80, Uma Cultura de Rua e Popular”, fruto de sua dissertação de Mestrado em História Social, defendida na Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Adriano destaca que as pessoas que começaram esse movimento na capital amazonense, há mais de 40 anos, são fortes exemplos do que ele considera como a “Resistência do submundo da cultura”.
“Muita gente mais jovem fica dizendo que graças a si, foi possível agilizar isso e aquilo, quando na verdade está colhendo frutos de trabalho de muita gente lá de trás. Pessoas que apanharam da polícia e foram discriminadas na sua cidade e dentro da sua família”, disse.
Art96
Projeto social
O primeiro projeto de Hip Hop em uma escola começou na escola João Crisóstomo, no bairro São José, na zona Leste da capital. Fundada em abril do 2000, a iniciativa seguiu até o ano 2012, apenas com um radinho e um CD tocando som, unindo cem jovens aprendendo a modalidade.
“Desses moleques saíram vários grupos de dança pesados em Manaus. Outros caras, hoje em dia, são cineastas, gente que trabalha com fotografia, com audiovisual, com teatro. Então, o que a gente fez? A gente os ocupava com algo útil, com pouco que a gente sabia”.
Art96
Por doze anos, o projeto funcionou de forma voluntária, sem nenhum suporte financeiro de entidades governamentais. Para Adriano, o projeto mudou a vida de muitas pessoas.
“Muitas vezes, os dirigentes culturais veem o Hip Hop como entretenimento e eu posso garantir, é muito mais que entretenimento. Às vezes me perguntam: por que o Hip Hop ainda tá aí? Porque tem a solidariedade, ajuda mútua, que faz o movimento continuar vivo”, concluiu Adriano Art96.






