Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “Havia uma rede de comunicação muito intensa, inclusive com monitoramento por câmeras”. A declaração é do delegado Juan Valério sobre a atuação de uma célula do Comando Vermelho alvo da Operação Visão Noturna, deflagrada nesta quinta-feira, 27/8, pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).
A operação resultou na prisão de seis pessoas e no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão contra integrantes do grupo investigado.
Segundo o delegado, o grupo utilizava uma estrutura de comunicação para acompanhar a movimentação das forças de segurança e alertar integrantes da organização criminosa sobre a presença dos policiais.
“A nossa entrada deveria ser de maneira furtiva nesses locais, apesar do grande contingente de militares envolvidos e, principalmente, da ação de maneira sincronizada. Qualquer alvo que fosse adentrado antes do momento devido, um iria comunicar o outro”, explicou.

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Grupo monitorava embarcações e policiais
Segundo as investigações, a célula acompanhava a movimentação de policiais civis e militares em áreas estratégicas de Manaus e da Região Metropolitana.
Os criminosos tinham atenção especial à Delegacia Fluvial (Deflu), monitorando a saída de embarcações, destinos e o efetivo empregado nas operações.
As informações eram repassadas por meio de um aplicativo de mensagens e utilizadas para alertar integrantes da organização criminosa sobre ações policiais e a chegada de carregamentos de drogas.
O monitoramento também ocorria na orla de Manaus, na região do Furo do Paracuuba e nos municípios de Iranduba e Manacapuru.
Segundo a polícia, alguns investigados eram pagos para permanecer durante a noite em embarcações e acompanhar a movimentação das forças de segurança.
Ainda conforme as investigações, os envolvidos recebiam ordens de integrantes da organização criminosa que estão foragidos em outros estados.
Investigação começou após apreensão de 4,5 toneladas de drogas
As investigações começaram em fevereiro deste ano, após o DRCO apreender aproximadamente 4,5 toneladas de drogas em uma balsa na região de Iranduba.
A partir das diligências realizadas após a apreensão, os policiais identificaram uma célula responsável por prestar apoio logístico ao transporte de entorpecentes e monitorar as forças de segurança.
De acordo com a investigação, o sistema de vigilância permitia que os traficantes antecipassem a movimentação policial e alterassem as rotas utilizadas pelos carregamentos de drogas para Manaus.
Armas, drones e Starlink são apreendidos
Durante a operação, os policiais apreenderam seis armas de fogo, munições, celulares, drones, uma antena Starlink e um pequeno bote.
Entre as armas estão dois fuzis calibre 5.56, duas armas calibre 12, uma pistola e um revólver.
Segundo o DRCO, o armamento seria utilizado para dar suporte às atividades criminosas e proteger os carregamentos de drogas que chegavam a Manaus.
A polícia também apura a possibilidade de que as armas tenham sido utilizadas contra agentes de segurança pública.
Operação teve apoio de forças especializadas
A Operação Visão Noturna foi realizada pelo DRCO no âmbito da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renocrim).
A ação contou com o apoio da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), por meio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), além de equipes do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), Departamento de Repressão a Furtos e Roubos (DERFD), Delegacia Fluvial (Deflu) e Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core-AM).
Segundo a polícia, a atuação sincronizada das equipes foi necessária para impedir que os investigados avisassem uns aos outros sobre a chegada dos policiais.
As diligências continuam para identificar outros possíveis integrantes e aprofundar as investigações sobre a estrutura utilizada pela organização criminosa para monitorar as forças de segurança e dar suporte ao transporte de drogas para Manaus.






