Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A seca na Amazônia tem sido intensificada por diferentes fatores. O aumento do desmatamento e das queimadas está diretamente ligado à crise hídrica na região, conforme afirmou o biólogo e pesquisador Dr. Lucas Ferrante, em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS.
A Amazônia já registrou 53.620 focos de queimadas até agosto de 2024, de acordo com dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Além disso, após a grande estiagem de 2023, especialistas apontam para uma seca ainda maior neste ano.
Dados do Programa Copernicus, da União Europeia, têm demonstrado que a Amazônia Ocidental se tornou a maior emissora de gases causadores do efeito estufa na atmosfera do planeta.
“O aumento do desmatamento e queimadas têm intensificado a crise climática que é responsável pela seca na Amazônia. Isso tem se tornado muito mais intenso na Amazônia Ocidental, principalmente na região conhecida como ‘Amacro’, que inclui os estados do Amazonas, do Acre e de Rondônia”, declarou.

Leia mais: Praia da Ponta Negra pode ser interditada nas próximas semanas
Para o especialista, diferentemente do ano passado quando foi registrado o fenômeno “El Niño”, que reduziu o número de chuvas e intensificou a estiagem na região, neste ano, o ritmo acelerado da vazante que pode ser uma das maiores da história, está relacionado a outros fatores causadores das mudanças climáticas.

“É importante destacar que o Brasil ainda tem planos de aumento da exploração petrolífera na região, o que agrava a crise climática devido ao aumento da queima de combustíveis fósseis. É extremamente necessário que o Brasil reveja grandes projetos de infraestrutura como estradas, que tem dado acesso às áreas de desmatamento e queimadas”, opinou o biólogo.
Tais áreas têm sido acessadas através de uma rede de rodovias por grileiros e madeireiros, que segundo Lucas Ferrante, têm aumentado o número de incêndios criminosos na região, às margens de estradas como a BR-163, BR-364, BR-230 (Transamazônica) e BR-319. Boa parte delas ainda não estão pavimentadas.
“É preciso deixar claro que a queima de combustíveis fósseis por conta da maior exploração de petróleo e o desmatamento são os dois dos principais fatores que têm causado essa crise climática. […] Essas informações novas do Programa Copernicus mostram que hoje a maior emissão de monóxido de carbono e aerossóis vem da região Amacro, que tem intensificado a crise climática e a seca”, ressaltou o especialista.


Discurso e realidade
Lucas Ferrante acredita, enquanto biólogo, que a “floresta em pé” é sinônimo de controle climático, pois a mata atua como uma espécie de “ar-condicionado”, propiciando uma evapotranspiração que diminui a temperatura e forma as chuvas que são deslocadas para as regiões Sul, Sudeste do Brasil, além de Argentina e Uruguai.
“A Amazônia entra num ponto crítico de não retorno do desmatamento tolerado e a floresta em pé tem um papel importantíssimo também na regulação climática. […] Embora o presidente Lula tenha tido um discurso de que países desenvolvidos são responsáveis pela crise climática, principalmente os países do G7, os dados, por exemplo, os do Programa Copernicus tem demonstrado o cenário da contribuição significativa da região amazônica”, completou o biólogo.






