Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O governo federal decidiu rescindir convênios com a Organização Não Governamental (ONG) Instituto de Articulação de Juventude da Amazônia (IAJA), fundada pela amazonense Anne Moura, secretária nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores (PT). A informação foi revelada em reportagem do Estadão nesta sexta-feira, 19/9.
A decisão ocorre após relatório técnico do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) identificar irregularidades financeiras no uso de recursos públicos destinados a projetos de capacitação em Manaus. Segundo a auditoria, do total de R$ 1,2 milhão previsto, cerca de R$ 600 mil foram repassados para a organização.
Conforme o Estadão, 97% desse valor foi utilizado de forma antecipada, sem comprovação adequada das atividades. O documento também destaca falhas como a ausência de cotação de preços e recomenda a devolução de aproximadamente R$ 584 mil, além de abrir caminho para o cancelamento definitivo do acordo.
Saiba mais: Secretária do PT em Manaus é suspeita de usar programa de R$ 58 milhões para eleger aliados
Áudios vazados
A situação ganhou mais destaque após a divulgação de áudios vazados atribuídos a Anne Moura. Em gravações obtidas pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, ela aparece pressionando integrantes do Ministério da Cultura (MinC) para que o Comitê de Cultura do Amazonas fosse mobilizado a seu favor durante as eleições municipais de 2024.
Candidata a vereadora em Manaus, Anne recebeu R$ 428,4 mil do PT, mas acabou derrotada nas urnas, obtendo 2.399 votos. Em uma reunião gravada em setembro de 2023 com Marcos Rodrigues, então chefe do comitê no estado, ela cobrou mais articulação da pasta para que as atividades da pasta beneficiassem aliados políticos.
Na conversa, a dirigente partidária admitiu que a escolha do Iaja ocorreu por sua influência: “Eu quero que você fale para eles lá. Porque as pessoas estão o tempo todo dizendo que não foi [por minha indicação]”. Anne relatou ainda que levou suas queixas diretamente a representantes diretos do Ministério da Cultura do Governo Lula.
“Quando fui lá no MinC, da última vez, o pessoal me perguntou: ‘Anne, o comitê tá te ajudando?’ Eu disse: não, Roberta [Martins – secretária do Programa Nacional de Comitês de Cultura], não tá. Ela estava na sede do PT e perguntou: ‘o comitê tá te ajudando? Porque nos outros lugares está tudo ajudando”, afirmou Moura.
Ainda segundo o Estadão, apesar de manter influência sobre a entidade e ter indicado os ex e os atuais dirigentes da ONG, o parecer técnico do ministério do Trabalho poupou Anne Moura porque ela não fazia parte dos quadros da entidade formalmente. A dirigente já negou qualquer irregularidade e afirma ser vítima de perseguição.
Resposta
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou um posicionamento oficial de Anne Moura sobre a decisão do governo federal de suspender o contrato com a ONG, que respondeu por meio de nota.
“Agora está comprovado pelos próprios documentos do ministério que eu não era da direção da instituição, portanto não tive nenhuma gerência na execução. Quem deve responder por isso é quem estava à frente, no caso o ex-presidente, que tenta transferir para outros a responsabilidade que era dele. Sigo tranquila, como sempre estive, e aguardando a posição da Justiça, confiando que a verdade será devidamente reconhecida”, afirmou Moura.












