Júlio Gadelha – Rios de Notícias
PARINTINS (AM) – O Boi Garantido encerrou com brilho e emoção a segunda noite do 58º Festival Folclórico de Parintins, neste domingo, 29/6, com o subtema “Garantido, Patrimônio do Povo”.
Num espetáculo vibrante, o bumbá vermelho e branco celebrou suas raízes com alegorias grandiosas, rituais de arrepiar e a força pulsante da tradição amazônica, unindo arte, história e pertencimento.
Na arena do Bumbódromo, o espetáculo começou com a Lenda Amazônica: Lendária Epopeia de Tamapú, em que o guerreiro Tamapú se apaixona pela filha do rei do império dos urubus, uma mulher-ave de corpo plumado.
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A lenda ganhou vida com figurinos e uma encenação envolvente, culminando na entrada arrebatadora da cunhã-poranga Isabelle Nogueira, em traje que representava a mulher-ave se transformando na guerreira. Sua performance energética arrancou aplausos e gritos apaixonados da galera encarnada.

Entre os destaques, Jeveny Mendonça, Porta-Estandarte estreante, brilhou em uma luxuosa indumentária inspirada no maracatu — repleta de penas coloridas e simbolismo afro-brasileiro.
A sinhazinha Valentina Coimbra também encantou com leveza e elegância, trajando um vestido rubro com flamingos, ao som das toadas embaladas por Israel Paulain e David Assayag, que emocionou o público ao se redimir com um repertório coeso e afinado.


Uma das alegorias mais simbólicas foi a homenagem às tacacazeiras da Baixa, figuras típicas que representam a força das mulheres amazonenses. Com barracas e cuias estilizadas, a encenação destacou o Tacacá como iguaria ancestral e símbolo de resistência, resgatando a presença marcante das guardiãs da cultura nas ruas, praças e feiras de Parintins.
Fechando a apresentação, o pajé Adriano Paketá surgiu como a mística ‘Tocorime Onça’ no Ritual Ajié. Com dança e simbolismo profundo, conduziu um ato espiritual para restaurar o equilíbrio entre o submundo e o mundo superior, em defesa do povo Madija Kulina — um encerramento intenso e comovente.


Para o jornalista Jhonatans Andrade, da Rádio Rios FM 95.7, a apresentação foi “extasiante e feita para o povo”. Ele ressaltou o vigor das alegorias, a precisão coreográfica de Valentina, a imponência de Jeveny, e a lenda amazônica como o ápice da noite.
“O Garantido veio grande, bonito, colorido, tradicional. As tacacazeiras representaram a alma parintinense e o povo se viu ali, na mistura entre fé, cultura e resistência”, disse.






