Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Famoso por seus filmes de alta qualidade, com um estilo de animação único e conhecido por sua estética visual, com traços suaves, cores vibrantes e cenários detalhados, assim é o Studio Ghibli, que trabalha com animação em japonês.
As narrativas são cativantes com histórias envolventes, personagens memoráveis e desenvolvimento de enredo que conquista o público incluindo os usuários das redes sociais, onde nos últimos tempos por meio de aplicativo cada pessoa pode se transformar em seus próprios personagens.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com o ilustrador Leon Sarmento, de 31 Anos, que é Designer Gráfico e Motion Designer, além do cartunista Gilmal, de 48 anos, que, em 2014, lançou a revista em quadrinhos genuinamente amazônica Jaraqui com Tucumã, que atualmente está em sua terceira edição para saber o que acham do uso da Inteligência Artificial em ilustrações.
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“Sobre a febre do Estilo Ghibli, não concordo, vejo que existe nas redes sociais um efeito manada, onde as pessoas acompanham uma ‘trend’, e todos querem fazer a mesma coisa, o que também é conhecido como viral, veja bem, isso acontece porque ainda não existe uma lei sobre o uso de comandos que a inteligência artificial utiliza para copiar completamente um estilo de desenho autoral como o Estilo do Cineasta Hayao Miyazaki, co-fundador do Ghibli, e autor desse estilo de desenho e animação”, observou Leon.

“Sobre o uso de IA, é bem interessante falar sobre as perspectivas dos artistas que desenham a próprio punho, dedicam-se com criatividades orgânicas naturais de inteligência humana. Esta modalidade de desenho ou ilustrações (IA), que inclusive já é adotada por grandes corporações de entretenimento talvez ameace a inteligência criativa orgânica?”, questionou Gilmal.
‘Um insulto à própria vida’
Leon Sarmento contou que recentemente viu trechos do documentário Hayao Miyasaki e a garça, um documentário em que o autor fala sobre suas referências para criar seus desenhos, algo que ele construiu com tanto suor através das décadas.
“Se aconteceu com ele, pode acontecer com todo artista, ter seu trabalho replicado deliberadamente sem seu consentimento, o que eu acho uma falta de respeito. Essa facilidade vem reduzindo drasticamente a solicitação de trabalhos de ilustração digital, já que qualquer um pode gerar um desenho de qualquer estilo através de um Prompt”, explicou o ilustrador.
Sarmento conta que gosta de se expressar de uma forma bem autêntica, com estilo próprio, indo na contramão do mundo. “Posso fazer uma releitura dos personagens que eu mais gosto do Ghibli, ou pegar esse estilo e aplicar a uma temática regional, que é o que eu gosto de fazer manualmente a lápis e papel, pintados com tinta”, destacou.

Para o artista amazonense o desenho digital está sendo cada vez mais clonado por robôs e copiados na “cara dura”. “O que posso fazer é continuar desenhando de forma tradicional, já que esse é um item que está se tornando cada vez mais raro hoje em dia, penso que quanto mais raro é o item, mas estimado deve ser. reforço o que disse o mestre Miyazaki: ‘Um insulto à própria vida’ sobre as imagens geradas por IA'”, disse.
Criação orgânica e IA
O cartunista amazonense Gilmal disse que nunca participou de filtros e “modinhas” de redes sociais. Com esse advento, o artista observa a expansão da IA cada dia mais participativa na vida dos internautas.
“Minha filha mais velha, essa loirinha da imagem fez este processo digital [que está em febre alta nas redes sociais] com a minha filha caçula. A imagem de um piquenique em família feito no sítio, na BR-174, nas minhas férias das charges. Não sei se sou contra isso. Nós que dominamos esta arte, a do desenho, podemos dizer que ficamos sim preocupados com a IA”, explicou o artista.
“Isso é muito sério, já pensei e tenho certeza que pessoas que fazem histórias em quadrinhos pensaram em construir uma narrativa de uma HQ toda baseada em fatos com fotos e ações com balãozinhos de textos e desenhar uma história inteiramente feita a partir desse filtro de IA”, revelou Gilmal.






