Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A retirada da prova da baliza do exame prático para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), determinada por resolução nacional, tem gerado debate entre especialistas em trânsito.
Embora a mudança tenha como objetivo modernizar e desburocratizar o processo de habilitação, profissionais da área alertam para possíveis impactos na formação dos novos condutores e na segurança viária.
As alterações entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e permitem, entre outras mudanças, que o exame prático seja realizado em veículos com câmbio automático. A medida integra um pacote de reformulações que busca tornar o processo mais ágil e acessível, reduzindo custos e o índice de reprovação.
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Para o especialista em trânsito Haniery Mendonça, a exclusão da baliza pode comprometer o desenvolvimento de habilidades fundamentais. Segundo ele, a manobra era essencial para avaliar o controle do veículo em baixa velocidade e em espaços reduzidos, situações comuns no cotidiano urbano.
“Sem esse treino, o condutor pode até dirigir bem, mas tende a apresentar dificuldade para estacionar até adquirir essa habilidade com a prática diária. A baliza ajudava a preparar o candidato para situações reais do dia a dia”, explica.

Segurança em segundo plano
O especialista avalia que a mudança priorizou aspectos administrativos, como rapidez e redução de custos, sem considerar plenamente os efeitos na segurança. “A proposta foi desburocratizar, mas a segurança viária acabou ficando em segundo plano”, afirma.
Haniery Mendonça também demonstrou preocupação com a flexibilização do número mínimo de aulas práticas, o que, segundo ele, pode incentivar uma formação focada apenas na aprovação no exame. “Alguns candidatos vão se sentir inseguros, mas ainda assim tentarão fazer a prova apenas para passar, sem preparo adequado”, avalia.
Outro ponto destacado é a ausência de estudos técnicos que comprovem que as mudanças não aumentam os riscos no trânsito. Para o especialista, embora a avaliação em vias públicas seja essencial, isso não elimina a importância da baliza no processo de aprendizagem. “Avaliar o comportamento no trânsito é fundamental, mas a baliza também cumpria um papel importante”, reforça.
Desafios para a fiscalização
Com a flexibilização das exigências, a fiscalização do processo de formação também se torna mais complexa. Segundo Haniery, o Detran-AM continuará atuando, mas o novo modelo pulveriza a responsabilidade.
“A resolução é clara: apenas instrutores credenciados, com veículos identificados, podem ministrar aulas, e o candidato precisa portar a licença de aprendizagem”, explica.
Ao concluir, o especialista afirma que o novo modelo representa um avanço burocrático, mas um retrocesso na formação dos condutores. “Quando a segurança deixa de ser prioridade, o impacto aparece no trânsito como um todo”, alerta.
O que mudou
As alterações decorrem da adoção integral, pelo Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), da Resolução nº 1.020/2025, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que reformula o processo de habilitação em todo o país.
Com a nova norma, o exame prático passa a avaliar habilidades gerais de condução, sem exigir manobras específicas, como a baliza. A proposta é priorizar o comportamento do candidato em situações reais de trânsito e reduzir o número de reprovações.
Outra mudança significativa é a autorização para que a prova seja realizada em veículos com câmbio automático, o que antes não era permitido e exigia maior tempo de treinamento em carros com câmbio manual.






