Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Superintendente de Agricultura e Pecuária no estado, Dionísia Soares Campos, filha do deputado estadual Sinésio Campos (PT), é alvo da Operação Expurgare da Polícia Federal (PF), deflagrada na segunda-feira, 9/12.
A operação investiga um esquema criminoso de grilagem de terras, exploração ilegal de madeira e fraudes na geração de créditos de carbono no Amazonas, que resultou na exoneração do diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Juliano Valente.
Dionísia obteve o cargo no governo federal por indicação direta do pai, que também é citado por sua proximidade com Juliano Valente, ex-diretor do Ipaam, apontado como uma peça-chave no esquema. Valente recebeu, em novembro de 2022, a Medalha de Honra ao Mérito Ruy Araújo, concedida pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em cerimônia realizada por Sinésio Campos.

O Ipaam, órgão estadual responsável pela fiscalização e licenciamento ambiental, foi diretamente impactado pela operação. Além de Valente, outros quatro servidores foram afastados por suspeitas de facilitar crimes ambientais, incluindo a suspensão de multas e a emissão de autorizações irregulares para desmatamento.
A reportagem tentou contato com os personagens citados na reportagem, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
Esquema de fraude bilionário
As investigações apontam que, ao longo de uma década, o esquema criminoso teria se apropriado ilegalmente de 538 mil hectares de terras públicas, concentradas principalmente nos municípios de Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã. Essas áreas foram usadas para desmatamento e exploração econômica ilícita. Além disso, foram gerados créditos de carbono fraudulentos, vendidos por aproximadamente R$ 180 milhões a grandes corporações, incluindo multinacionais.
De acordo com a PF, o esquema totalizou um impacto financeiro estimado em R$ 1 bilhão, desarticulando financeiramente a organização. O esquema envolvia falsificação de títulos de propriedade, inserção de dados falsos no Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF) e a emissão de licenças ambientais fraudulentas, com a colaboração de servidores públicos.
O governo do Amazonas afirmou, por meio de nota, que “não compactua com práticas ilegais” e anunciou que todos os servidores envolvidos serão afastados. O governador Wilson Lima (União) destacou que o estado está colaborando com as investigações para garantir o esclarecimento dos fatos e reiterou o compromisso com a transparência nas ações públicas.
Operações relacionadas
A Operação Expurgare é uma continuação da Operação Greenwashing, que revelou um esquema similar de fraudes fundiárias no estado. Entre 2016 e 2018, a organização criminosa expandiu suas atividades, utilizando dados falsos para reutilizar títulos de propriedade. Essa operação também está ligada à Operação Arquimedes, deflagrada em 2019, que já havia investigado membros do grupo por crimes relacionados.
A PF destacou que os crimes não apenas resultaram em danos ao meio ambiente, mas também em prejuízos bilionários ao patrimônio público.






