Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Fentanil, a substância mais potente de todos os opioides, é motivo de crescente preocupação devido ao seu uso recreativo. Com uma força cerca de 100 vezes maior que a morfina, pequenas quantidades podem levar à morte.
No Brasil, o Fentanil tem aparecido em apreensões este ano, suspeita-se que esteja sendo usado para intensificar os efeitos da cocaína e de outras drogas.
A dependência de opioides pode se desenvolver rapidamente, muitas vezes de forma despercebida. Em apenas um ou dois meses, os usuários podem aumentar as doses em busca de prazer, mas os resultados são devastadores.
Existem basicamente duas formas de dependência: uma é quando o usuário busca intencionalmente os opioides para recreação, em busca de prazer; a outra, mais comum, ocorre quando as pessoas, após sofrerem dor, utilizam os medicamentos prescritos por um médico e desenvolvem dependência.
Epidemia nos EUA
Nos Estados Unidos, a epidemia de mortes por opioides atingiu seu pico, com mais de 100 mil mortes por overdose este ano, sendo 60% delas causadas pelo Fentanil.
Na cidade de Nova Iorque, 80% das mortes por overdose são atribuídas a essa substância, especialmente no Bronx, onde a taxa de mortalidade é a mais alta.
Em São Francisco, na Califórnia, o uso da substância também levanta preocupações, pois está ligada a uma série de mortes no país. Além disso, a abordagem para tratar os dependentes ainda é um desafio.
O jornalista americano, Thomas Hawk, manifestou sua preocupação na última quinta-feira, 26/10, sobre a quantidade de pessoas dependentes nas ruas da cidade.
“Esse é o filho de alguém, o irmão de alguém, o neto de alguém, talvez até o pai de alguém. Quando esses viciados sofrem overdose e morrem, deixam um grande vazio nas famílias que deixam para trás. Eu sei, a heroína tirou a vida do meu irmão mais novo. A compaixão envolve colocar esse rapaz em tratamento, mesmo que ele não queira, em retirá-lo desse inferno das drogas. Se ele permanecer nas ruas de São Francisco, há muito pouca esperança. É apenas uma questão de tempo”, apelou.
Hawk descreveu os efeitos da substância, destacando o fenômeno conhecido como “os acenos”, que ocorre quando alguém está sob a influência dessa poderosa substância. Segundo ele, a vítima consegue permanecer de pé em posição ereta, porém inclina o pescoço a quase 90 graus. Embora ainda consciente, a pessoa fica em um estado semelhante a um transe, quase como um zumbi.
Essa condição é classificada como intoxicação pública e é considerada ilegal no EUA. No entanto, segundo ele, em vez de receber a assistência necessária, as pessoas afetadas pelo Fentanil são deixadas à própria sorte nas ruas de São Francisco, em nome da “autonomia corporal”.
Drogas ‘K’ e o Fentanil
O Fentanil e outros opioides têm sido encontrados frequentemente em drogas como a “K,” que causam o chamado “efeito zumbi” e têm ganhado popularidade no Brasil. Em São Paulo, é possível observar jovens usando essas drogas em terminais de ônibus na zona Leste.
Essas substâncias, feitas em laboratório com base em canabinoides sintéticos, pertencem ao grupo de Novas Substâncias Psicoativas. Embora atuem no cérebro nas mesmas áreas que a maconha, elas não são derivadas da planta.
Leia também: Droga ‘K’: novo alucinógeno que deixa usuários como ‘zumbis’ preocupa especialistas
Opioides
Os analgésicos opioides, fabricados há mais de 200 anos pela indústria farmacêutica, ainda são os medicamentos mais potentes contra a dor. No entanto, seu alto potencial de causar dependência exige um rigoroso controle de venda e a exigência de prescrição médica.
Cada opioide possui uma potência diferente. Por exemplo, a Morfina, derivada do ópio, é usada há muito tempo para tratar dores intensas. A Codeína, o opioide mais vendido no Brasil, é indicado para dores moderadas.
Já a Oxicodona, também disponível no Brasil, é quase duas vezes mais potente que a morfina e desencadeou a primeira onda de mortes por opioides nos EUA em 1999. Seus usuários migraram para a heroína, que é ilegal e 50 vezes mais potente que a morfina.
No Brasil, a dependência de opioides é três vezes maior do que a do crack, afetando pelo menos quatro milhões de brasileiros. Segundo a Fiocruz, no 3º Levantamento Nacional sobre o uso de drogas pela população brasileira, emitida em 2017, pelo menos quatro milhões de brasileiros já usaram algum medicamento dessa classe sem indicação médica.
Analgésicos opiáceos e tranquilizantes benzodiazepínicos são consumidos de forma não prescrita, ou de modo diferente àquele recomendado pela prescrição médica.






