Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O quadro Fala Manaus encerra 2025 com um balanço das denúncias feitas pela população manauara ao Rios de Notícias. A produção especial é parte da Retrospectiva 2025 da Rede Rios de Comunicação.
Dos mais de 50 locais visitados pela reportagem ao longo de 2025, nossa reportagem retornou em três que tiveram grande repercussão e constatou que as demandas não foram resolvidas.
São elas: a situação de abandono da Feira do Santo Antônio; a falta de obra da passarela da avenida Torquato Tapajós e o lugar onde houve uma trágica morte de uma líder comunitária na zona Norte.
Feira do Santo Antônio
Em 2021, o Governo do Amazonas destinou R$ 30 milhões para a reforma das feiras da capital. No entanto, para os feirantes do bairro Santo Antônio, zona Oeste, esse investimento nunca se materializou.
Após um curto-circuito destruir 18 boxes da feira em 2023, o prefeito David Almeida (Avante) prometeu antecipar a reforma, prevista inicialmente para maio de 2024. Dois anos depois, o cenário ainda é de abandono.
O local apresenta lixo acumulado e estrutura precária. Recentemente, a prefeitura retirou tapumes e pequenos boxes de madeira, apelidados de “casinhas de pombo”, que passaram a servir como abrigo para usuários de drogas.
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Além disso, o clima também é de medo: ao tentar ouvir os permissionários, a repórter Diana Rodrigues encontrou resistência. Sob condição de anonimato, feirantes relataram receio de sofrer retaliações por parte da gestão municipal.

Passarela da Torquato
A população que passa por uma das principais vias de tráfego de veículos de Manaus também apresenta suas demandas.
Há cerca de um ano e meio, um caminhão colidiu com a passarela da avenida Torquato Tapajós, derrubando parte da estrutura. Desde então, a solução adotada pela prefeitura foi a instalação de um semáforo, medida considerada paliativa e que compromete a fluidez do trânsito.
A cobradora Sarah de Lima lamenta os impactos no dia a dia: “Com a passarela, o fluxo era contínuo. Agora, o sinal fecha a cada cinco minutos, gerando um transtorno gigante”.
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A descrença na reconstrução é reforçada pelo motorista André Galdino, que aponta uma cultura de medo. “O prefeito já foi reeleito, a obra não vai sair. Não mando nem recado, porque quem reclama acaba demitido, como aconteceu com o motorista que criticou, na Arena da Amazônia, os problemas do buraco”, disse.

Tragédia anunciada na zona Norte
Um dos episódios mais graves registrado em 2025 foi a morte da líder comunitária Sâmia Costa Maciel, de 45 anos. Ela morreu soterrada durante o primeiro deslizamento do ano, na comunidade Fazendinha, zona Norte de Manaus.
Mesmo após a fatalidade, moradores da rua Ladário, no Conjunto Francisca Mendes, afirmam que o descaso persiste.
A resposta da Prefeitura de Manaus limitou-se ao isolamento da área com fitas, à instalação de uma placa de alerta e ao pagamento de um auxílio-aluguel de R$ 600 por um ano, valor considerado insuficiente pelas famílias afetadas.
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Sem obras de contenção, a vegetação tomou conta do local e o barranco continua cedendo a cada chuva, mantendo os moradores sob risco constante.

Silêncio
Além desses casos, o Fala Manaus registrou inúmeras reclamações sobre esgoto a céu aberto, crateras nas vias e a ausência de saneamento básico em diversas áreas da cidade.
Em todas as situações, o Rios de Notícias solicitou esclarecimentos à Prefeitura Municipal de Manaus. Na maioria das vezes, a resposta foi o silêncio, tanto para a imprensa quanto para os cidadãos que seguem à espera de soluções e dignidade.






