Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que Manaus poderá receber R$ 2,85 bilhões em investimentos para implantação de um sistema de transporte público do tipo Bus Rapid Transit (BRT) elétrico, com aproximadamente 47,9 quilômetros de extensão.
O projeto integra o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), desenvolvido em parceria com o Ministério das Cidades e inserido no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.
De acordo com o estudo, o sistema atenderia aproximadamente 339 mil embarques diários, beneficiando 837 mil pessoas, o que representa 36% da população de Manaus dentro de um raio de um quilômetro dos corredores previstos.
A proposta também estima redução de até 8% nas emissões de gases de efeito estufa, queda de até 5% nas mortes no trânsito e diminuição de 6% no tempo médio de deslocamento até 2050.
Na capital amazonense, os projetos previstos pelo estudo nacional são a implantação dos BRTs – Extremo Norte, Norte/Leste, Área Central e Extremo Sul.

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Prefeitura precisa aderir ao projeto
Em entrevista ao riosdenoticias.com.br, o especialista em trânsito Manoel Paiva destacou que a decisão de implementar o BRT elétrico depende do município.
“A prefeitura precisa dizer se quer ou não. O BNDES e o Ministério das Cidades estão oferecendo o projeto e os recursos, mas cabe ao município validar as intervenções e decidir se vai aderir. Qual é a política da prefeitura nessa questão? Ela quer continuar com combustível fóssil? Ela quer continuar com elétrico?”, explicou.

Conforme o levantamento da reportagem, a implantação do BRT não consta no plano de governo 2025-2028, do prefeito David Almeida (Avante), que prevê apenas a renovação da frota atual de ônibus.
Transporte eficiente
Manoel Paiva lembra que o modelo de BRT elétrico já é adotado em cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, além de referências internacionais como Bogotá e Medellín. No entanto, Manaus nunca implantou um sistema de média capacidade, apesar de o modal constar no Plano de Mobilidade Urbana (PLANMOB) desde 2015.
Para o especialista, a implantação do sistema representa um avanço em uma cidade que ainda prioriza o transporte individual, mas ao mesmo tempo ainda é limitado, pois atenderia apenas 32,7% do sistema de transporte urbano e 36% da população da cidade, estimada em apenas um raio de um quilômetro dos corredores previstos.
“Quem mora na periferia hoje é mais penalizado porque não tem um transporte urbano confiável, acessível, seguro, limpo. Se demora muito na parada, custa muito o seu deslocamento e não se tem prioridade operacional nas vias. Aqui, se utiliza muito a motocicleta porque é a maneira que as pessoas tem se deslocar”, afirmou Manoel.

Histórico manauara
Manaus enfrenta os efeitos da expansão urbana desordenada, do histórico foco no transporte individual motorizado e da falta de políticas públicas integradas entre os entes públicos.
Paiva destaca que desde o final do Século XIX até hoje, a cidade e convive com partes fracionadas de tudo o que foi planejado para ela ao longo desse tempo.

O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana já está 74% concluído e deve servir de base para parcerias público-privadas (PPPs) e novos financiamentos federais. De acordo com o BNDES, a execução dos projetos dependerá da adesão dos municípios e da definição de modelos de governança e operação.
A reportagem entrou em contato com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) a fim de saber se há interesse por parte da gestão municipal de se implementar o sistema com os ônibus de trânsito rápido. Até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto.






