Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após a demissão de trabalhadores ligados à gestão do governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), ex-servidores relatam que estão sendo pressionados a declarar apoio político ao chefe do Executivo estadual, sob ameaça de demissão em caso de recusa, em pleno período pré-eleitoral.
Em depoimento ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a ex-supervisora do programa Prato Cheio, Alcione Rocha, afirmou que funcionários teriam sido convocados de forma repentina, além disso, relatou que os trabalhadores atuavam junto a pessoas em situação de vulnerabilidade e com o uso de recursos próprios, e não aceitam a forma como teriam sido tratados diante da demissão.
“A gente não está reclamando de ser demitido, como muitos assessores já falaram aqui. Nós trabalhamos na ponta, na linha de frente, com os usuários, com moradores de rua, com pessoas em estado de vulnerabilidade, a gente dando o nosso suor, a gente tirando do nosso bolso para fazer outras programações, além da refeição que nos eram dadas. E aí a gente recebe isso como agradecimento”, relatou.

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Denúncia e pressão política
A ex-servidora também afirmou que teria ocorrido abordagem de possíveis assessores ligados à gestão de Roberto Cidade durante o encontro. Segundo ela, foi solicitado apoio político e teria havido ameaça de demissão em caso de recusa, com pressão para que os servidores declarassem apoio ao governador do Amazonas.
“Eu fiquei sabendo que eles já estão indo nas unidades, assessores do atual governo, querendo fechar com os funcionários, e os que não forem fechar com eles já deixaram bem claro que vão ser demitidos. Pediram para que os funcionários que ainda estão ligados à secretaria apoiassem o governo do Cidade. Os que não forem apoiar vão ser demitidos. Foi nessa fala que eles falaram”, declarou Alcione.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou posicionamento da Associação de Apoio à Gestão de Saúde do Estado do Amazonas (AADESAM) e do Governo do Amazonas sobre as denúncias feitas por servidores, que relatam possível pressão para apoio político durante reunião e supostas ameaças de demissão em caso de recusa.
Em nota, o Governo do Amazonas informa que não procede a informação de que ex-colaboradores da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam) estejam sendo obrigados a assinar documentos com data de desligamento retroativa.
“Os desligamentos foram comunicados aos colaboradores na última sexta-feira (03/07), razão pela qual a documentação correspondente observa a data em que a notificação foi formalizada, em conformidade com os procedimentos administrativos adotados”, disse.
O Governo do Estado ainda declarou que mudanças em equipes de trabalho “são naturais em processos de transição de gestão”.
Por fim, o Governo do Amazonas pontuou que os serviços desenvolvidos no âmbito do Programa Prato Cheio e dos Centros de Convivência da Família não serão interrompidos, “não havendo comprometimento da continuidade do atendimento à população”.
*Com colaboração de Júnior Almeida e Tunico Santos






