Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O ex-assessor de gabinete de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, afirmou em entrevista que pretende divulgar provas que, segundo ele, podem “implodir” órgãos como o Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações foram feitas nessa quarta-feira, 30/7.
Tagliaferro alegou que presenciou práticas fraudulentas durante o período em que trabalhou ao lado de Moraes e que havia ordens para “deletar” documentos. “Como sou uma pessoa de consciência, sempre guardei [as provas], porque sabia que um dia isso viraria história”, declarou.
Em entrevista à Revista Timeline, o ex-assessor afirmou ter se surpreendido com a dinâmica da área em que atuava. Segundo ele, havia uma suposta manipulação nos critérios de apuração: apenas casos ligados à direita chegavam ao gabinete, enquanto denúncias envolvendo a esquerda, segundo ele, não eram investigadas. “Isso me chamou muito a atenção”, afirmou.
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Tagliaferro também relatou ter sido alvo de tentativas de acesso forçado ao seu telefone e de backup de mensagens. “Eles conseguiram, de certa forma, prejudicar muito a minha vida”, disse.
Durante a entrevista, ele enfatizou que não enxerga a política sob a ótica de direita ou esquerda, e criticou a polarização ideológica. “Não se deve tratar política como time de futebol”, opinou.
Ele também afirmou que recebeu ordens diretas de Alexandre de Moraes para monitorar e “perseguir” pessoas ligadas à direita. De acordo com ele, pediu exoneração do cargo diversas vezes e virou motivo de piada entre colegas. “Depois de um tempo, ele acabou me tirando porque eu já não servia mais”, afirmou.
Elogio a Eduardo Bolsonaro
Tagliaferro elogiou o deputado Eduardo Bolsonaro, dizendo que ele tem lutado para “salvar” o pai, Jair Bolsonaro, de uma possível condenação, além de, segundo ele, combater a “tirania” e o “domínio da esquerda” no país. “Não é qualquer um que tem essa coragem”, declarou.
Eduardo Tagliaferro chefiou a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), criada em 2022 com o objetivo de combater a disseminação de notícias falsas durante o processo eleitoral.
Atualmente, Tagliaferro vive na Itália, para onde se mudou após deixar o cargo. Desde então, tem se posicionado publicamente afirmando que houve abusos durante as eleições de 2022 sob a gestão de Alexandre de Moraes no TSE.






