Gabriela Brasil e Vivian Oliveira – Rios de Notícias
SÃO PAULO (SP) – O sucesso do espetáculo amazonense, Cabaré Chinelo, do Ateliê 23, rompeu as fronteiras de Manaus e se expandiu para a região Sudeste do país. Nesta, que é a primeira vez do elenco completo fora da capital amazonense, os artistas apresentaram o espetáculo no Sesc Pinheiros, na grande São Paulo, nesta terça-feira, 25/7. Todos os ingressos se esgotaram garantindo casa lotada.
A estreia do Cabaré Chinelo em território paulista atraiu diversas pessoas, dentre os quais artistas da região, que também prestigiaram o elenco de Manaus, cuja marca é a interação com o público, que ficou impressionado com o dinamismo dos atores nortistas.
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A representação teatral conta a história do tráfico sexual de mulheres no início do século XX, em Manaus, durante a Belle Époque. Com tom de denúncia, a peça retrata a época em que mulheres estrangeiras eram seduzidas com promessas de casamento, mas, assim que chegavam ao Brasil, encontravam uma realidade completamente diferente do que lhes era apresentado, e eram forçadas a se prostituírem.
O esquema de tráfico sexual aconteceu em diversas cidades do país, mas em Manaus o fato ganhou força motivado, principalmente, devido ao período áureo da extração da borracha.
Doze atrizes interpretam as mulheres vítimas de crime sexual que moravam na capital amazonense no século XX. Segundo o historiador Narciso Freitas, foram catalogadas cerca de 300 vítimas.
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Para o músico, percussionista e baterista do espetáculo Cabaré Chinelo, Stivisson Menezes, a experiência de apresentar pela primeira vez na cidade paulista, e no Sesc Pinheiro, “foi incrível”.
“Uma noite linda e memorável para todo o grupo, e especialmente para mim”, comemorou o músico e instrumentista de carreira. “Uma primeira experiência no teatro fora do meu Estado foi um momento ímpar para mim”, enfatizou Stivisson Menezes, músico, percussionista e baterista do espetáculo Cabaré Chinelo
Conforme Stivisson Menezes, o grupo artístico estava ansioso e com uma expectativa grande para se apresentar em São Paulo. “Foi uma grande e linda noite. Uma grande noite de sucesso”, comemorou.
O artista destacou, também, que a história sobre o tráfico sexual durante o início do século XX em Manaus foi pouco contada. Neste sentido, a partir da peça, outras pessoas podem conhecer o contexto histórico de Manaus, inclusive o público fora da região Norte.
Para a atriz Thayná Liartes, que interpreta a personagem Felícia Terrível, a sensação é de “gratidão” por “ver o trabalho dando mais do que certo”.
“É um momento de muita força e resistência. Tivemos muitas dificuldades, muitas coisas aconteceram durante todo o percurso. O nosso grupo é muito grande, são mais de 20 pessoas trabalhando diretamente. Saber que conseguimos por nós mesmos sair de Manaus e chegar até aqui [São Paulo] para a apresentação é muito bacana”, celebrou Thayná.
Thayná frisou ao portal RIOS DE NOTÍCIAS que o trabalho da equipe conseguiu reafirmar a existência da Região Norte do país. Além disso, ela revelou que o objetivo do grupo é encenar a peça em outros países.
“Chegamos ao primeiro objetivo, que era sair do Estado, e eu nem tenho dúvidas que a gente vai conseguir chegar a tantos outros objetivos, como sair com o espetáculo para fora do país. E assim poder mostrar para todo o mundo a nossa arte”, anunciou Thayná Liartes
O diretor do Ateliê 23 e professor de teatro pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Taciano Soares, salientou que apresentar em um lugar como o Sesc Pinheiro, “um grande centro de fomentação de cultura”, foi uma forma de furar a “super bolha”.
“A força do movimento do espetáculo fez com que a gente apresentasse e esgotasse os ingressos em poucos minutos mesmo. Acreditamos na força do que fazemos. Então, o trabalho tem aberto portas. Testemunhamos isso ontem e vamos ver isso amanhã e sexta-feira também.”, adiantou Taciano Soares, diretor do Ateliê 23.






