Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A vitória de Nicolás Maduro contra a oposição na Venezuela continua repercutindo no mundo todo. O chavista foi reeleito presidente do país no domingo, 28/7, com 51,20% dos votos, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano. O candidato opositor Edmundo Gonzáles Urrutia acusa o governo de fraude.
Em Manaus, centenas de venezuelanos foram impedidos de votar pelo regime e definir o futuro de seu país, como detalhou com exclusividade ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, Javier Rafael Rojas, que atua como vice-coordenador da Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Manaus.
“Nós venezuelanos em Manaus, não pudemos exercer o nosso direito de voto. Muitos de nós estivemos reunidos na Praça do Largo de São Sebastião para protestar pacificamente contra a recusa do governo em nos permitir exercer o nosso direito de voto”, ressaltou.
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Segundo Javier Rojas, muitos jovens estavam no local do protesto no último domingo, 28, com a esperança de mudanças na política venezuelana, com o objetivo de poderem retornar ao seu país de origem e retomar seus sonhos de onde pararam.
“Eles sonham em regressar para continuar com suas atividades que de um dia para o outro foram interrompidas pela forte realidade que o nosso país enfrenta, que não permite a estes jovens pensar no futuro. Muitos estão sozinhos aqui e os seus pais na Venezuela”, destacou o vice coordenador.
Expectativas frustradas
O vice-coordenador da Pastoral dos Migrantes destacou que Conselho Nacional Eleitoral, que declarou a reeleição de Maduro, é composto por juízes da Suprema Corte de Justiça, onde todos os magistrados são delegados pelo próprio Maduro.
“Nós, venezuelanos, esperávamos gritar ‘Venezuela Livre’, mas sabíamos que era algo difícil, pois o regime que governa nosso país controla todos os poderes públicos […] No domingo, você podia ver esperança nos rostos dos venezuelanos, mas depois desses resultados, um silêncio terrível tomou conta do meu país”, disse Javier Rojas.
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Nicolás Maduro venceu as eleições presidenciais, após obter mais de 5,15 milhões de votos (51,20%), segundo o CNE, controlado pelo chavismo. O candidato opositor, Edmundo González Urrutia, teve 4,4 milhões de votos (44,2%).
“Acompanhei a maioria das contagens de votos no meu país e em todas as que acompanhei a oposição venceu com ampla vantagem sobre Nicolás Maduro e depois de madrugada fomos informados que Nicolás Maduros venceu com mais de 50%”, questionou.
O que ficou para trás
Javier Rojas contou que é professor universitário em seu país e que saiu de lá em 2019 em busca de tratamento para sua mãe, diagnosticada com câncer de mama. Segundo ele, não haviam equipamentos para que ela realizasse tratamento quimioterápico em nenhum hospital da Venezuela.
“No particular era muito caro. Com um salário miserável e uma moeda desvalorizada, fugimos do nosso país sem nenhum tipo de planejamento, deixando tudo para trás. Como você acha que posso descrever a gestão do governo Maduro se eu sou um dos mais de 7 milhões de venezuelanos que deixaram o país?”, indagou Rojas.
O venezuelano ressaltou que acompanha de perto tudo que acontece em seu país e que a juventude da Venezuela está cansada, pois tomou às ruas e mais uma vez está sendo reprimida pelo regime. Javier Rojas espera muito em breve poder bradar “Venezuela Livre!”.






