Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Doenças como o acidente vascular cerebral (AVC) e infarto são responsáveis por um maior número de mortes no mundo. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam cerca de 17,3 milhões de vítimas anualmente. Tanto o AVC quanto o infarto são causados por obstruções das artérias. Estudo divulgado por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostram o aquecimento global como relação direta para o aumento das mortes por doenças cardíacas graves, como infarto.
Ao Portal Rios de Notícias, especialistas explicam que existem possibilidades, do ponto de vista teórico, das temperaturas elevadas ocasionarem o aumento dos casos de AVC e infarto. Eles alertam que o calor excessivo pode acometer, principalmente, pessoas com quadros pré-existentes de hipertensão e diabetes.
O médico cardiologista, Rodrigo Castro, explica que o calor produz hipotensão – termo popular conhecido como pressão baixa – que é quando a pressão arterial cai a ponto de provocar sintomas como tonturas e desmaios, podendo precipitar os casos de AVC e infarto.
“As ondas de calor podem levar à desidratação e hipotensão arterial. Esta hipotensão que me refiro, pode do ponto de vista teórico, levar à redução de perfusão cerebral e miocárdica, podendo contribuir para ocorrência de AVC e infarto, respectivamente”, explica.
Leia também: Simpósio de Fissura Labiopalatina será realizado na Fametro
O doutor alerta que pacientes com quadros de hipertensão, diabetes, dislipidemia e tabagismo são suscetíveis a desenvolver aterosclerose, que são placas de gordura na parede das artérias, responsáveis pela maioria dos casos de AVC e infarto.
Entre os vários fatores, o AVC e infarto podem acontecer a partir de crise hipertensiva, hipotensão arterial, associada ao calor, bem como por distúrbios de ansiedade e a falta de sono adequado, frisa o médico cardiologista, Rodrigo Castro.
Segundo Rodrigo Castro, a aterosclerose é o acúmulo de placas de gordura, cálcio e outras substâncias nas artérias, que dificulta a passagem de sangue dos vasos, o que pode levar a casos de infartos, derrames e até morte súbita.
Outra opinião
Para a médica neurologista Drielle Sales, não há relação estabelecida entre o risco de AVC e as oscilações de temperatura, porém, ela afirma que estudos revelam maior incidência de acidente vascular cerebral quando há calor excessivo ou frio.
“Quando estamos no frio extremo, ocorre uma vasoconstrição (os vasos ficam mais estreitos) levando a um aumento da pressão arterial. Já em relação ao calor, ocorre o inverso. Os vasos dilatam, o que pode gerar aumento da frequência cardíaca”, explica a neurologista, Drielle Sales.
Grupo de risco
A variabilidade acentuada de temperaturas, tanto para o frio quanto para o calor podem afetar, principalmente, a saúde dos idosos. O AVC na idade avançada é mais comum por conta da diminuição do metabolismo na terceira idade. O estresse pelo calor ou frio resulta em elevação da pressão arterial, aumento na viscosidade do sangue e na contagem de plaquetas, o que eleva a pressão arterial, causando um AVC hemorrágico.
Cuidados
Para se proteger do calor e das altas temperaturas prejudiciais à saúde, os especialistas recomendam a hidratação.
A exposição prolongada ao calor extremo pode causar a desidratação. O corpo perde quantidades significativas de líquidos.
O cardiologista Rodrigo Castro alerta que a ingestão regular de líquidos seja em forma de chás, sucos, ou mesmo a água pura, previne a deficiência. “Acho importante que as pessoas se protejam ao máximo do calor e tomem uma maior quantidade de líquidos diariamente, para evitar a desidratação e a hipotensão”, aconselha.






