Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os flutuantes localizados às margens do Tarumã-Açu, conhecidos pela oferta de diversas atrações para o lazer e recreação, principalmente voltadas ao turismo, nos períodos de varão amazônico, enfrentam desafios nos últimos meses devido à extrema seca que atingiu o Amazonas. O baixo nível das águas não apenas interrompeu suas operações, como também dificultou o acesso aos estabelecimentos.
Regiões como a Praia Dourada passaram alguns meses sem receber banhistas. A estiagem severa afetou diretamente o trânsito nesses locais, normalmente procurados por frequentadores nesse período que é o mais quente na região.
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A empresaria Elizângela Feitoza, dona de um dos flutuantes situados no rio Tarumã-Açu, relata o impacto financeiro que teve provocado durante a seca histórica.
“O meu flutuante funciona com locações diárias. As nossas dificuldades foram muito grandes nos últimos meses. Eu fiquei pensando como fazer para pagar o salário dos meus dois funcionários. A outra dificuldade que enfrentamos foi o acesso aos flutuantes, por conta da seca não tinha como a gente chegar até ele. Ficamos naquele impasse, se tirávamos de lá e buscava um outro lugar, mas acabou que ficamos no mesmo local”, destaca Elizângela, que assim comos outros empreendedores vivenciou as dificuldades provocadas pela extrema vazante.
Contudo, a subida gradual das águas e a recente elevação do nível do rio Negro nas últimas semanas, que atualmente atingiu a marca de 18 metros, conforme registrado neste fim de dezembro, renova a esperança e a retomada das atividades dos trabalhadores que atuam nos flutuantes da orla de Manaus.
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O movimento de banhistas, lanchas, bares e restaurantes que começaram a reduzir ainda em setembro, quando os flutuantes foram forçados a paralisar as atividades devido a seca histórica, parece começar a ressurgir .
“Estamos parado há aproximadamente três meses. Se formos contar o total de flutuantes, cerca de 900, todos foram para o chão com a seca.”, lamenta Elizângela .
Funcionamento
Recentemente, com a subida do nível do rio, alguns flutuantes ao longo das margens do Tarumã-Açu começaram a retomada de suas atividades. No entanto, nem todos os estabelecimentos se sentiram confortáveis em arriscar o retorno às operações.
Elisângela Feitoza é proprietária do flutuante “Amazon Vip”. Para ela, apesar da subida das águas, a funcionalidade dos flutuantes ainda é impedida pela dificuldade de acesso ao local e pelo capim, que cresceu no local.
“Parece um campo de futebol, totalmente tomado pelo capim. Chegar até o flutuante com uma rabeta está sendo extremamente difícil. Precisamos abrir caminho manualmente, remando e cortando o capim pesado. Acreditamos que esse capim precisará afundar para que possamos retomar as atividades”, explica Elisângela, que ainda vai precisar segurar um pouco para trabalhar com a locação do espaço, cercado pelo matagal.

Muitos flutuantes são disponibilizados para alugar aos clientes que querem realizar as festas de fim de ano de forma singular. Dessa vez, o serviço está indisponível devido as consequências oriundas do período de seca. Apesar da normalização do nível das águas, esses espaços ainda passam por recuperação, de forma gradual.
De acordo com Elizângela, a previsão para o reinício das atividades e o retorno dos banhistas ao local será somente em fevereiro. A maior parte dos empresários deste ramo aguardam condições mais propícias para a retomada completa das atividades. Enquanto isso, a população espera que a subida das águas continue.
“Nós acreditamos que só poderemos voltar na primeira semana de fevereiro. Precisamos aguardar que o capim afunde e se dissipe para garantir condições seguras e agradáveis para os frequentadores”, disse Elizângela.
Retirada dos flutuantes via judicial
Antes da paralisação das atividades por conta da seca, os flutuantes enfretavam uma outra batalha. Isso porque uma decisão judicial determinou a retirada de todos os flutuantes da Bacia do Tarumã-Açu. A Prefeitura de Manaus foi notificada para retirar cerca de 900 estruturas instaladas no Tarumã-Açu. Muitos proprietários não possuem outro destino, uma vez que além de trabalhar também residem no local.
O prazo até dezembro deste ano, não foi implementado. Isso também deixa os empresários na incerteza, uma vez que não se têm informações sobre o andamento da decisão judicial, e da prefeitura.
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“A justiça está muito quieta, está tudo calada. Até agora nada foi dito sobre a retirada dos flutuantes. Em relação à prefeitura também. Até o momento nada foi dito. E no grupo de WhatsApp que eu tenho com outros donos de flutuantes nada foi informado”, relatou Elizângela, refletindo sobre a falta de clareza sobre o futuro de seus negócios.
A decisão tomada pela Vara Especializada do Meio Ambiente trata da retirada dos flutuantes da bacia do Tarumã-Açu. Ao portal RIOS DE NOTÍCIAS, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que “a ação de retirada dos flutuantes foi prorrogada por conta da estiagem”.
*Com colaboração de Gabriela Brasil






