Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O analista político da Rede Rios de Comunicação, Diogo da Luz, destacou nesta segunda-feira, 26/10, durante o Jornal da Rios, da Rádio Rios FM, que a vitória de Lula (PT) não encerra os conflitos políticos no país e pode impor dificuldades ao próximo mandato ao governo.
Na avaliação do analista, porém a vitória por uma margem relativamente estreita não significa que o presidente eleito para um quarto mandato tenha conquistado apoio amplo o suficiente para governar sem enfrentar resistência política.
“Ele fez uma aposta arriscada que o levou à vitória, sem dúvida, mas de governar com a polarização intensificada. Nenhum gesto ele fez nesses quase 4 anos para reduzir essa rixa, essa disputa entre os polos, ao contrário, ele a intensificou”, afirmou.
Polarização mantém divisão entre os eleitores

Para Diogo da Luz, o resultado das urnas confirma a vitória de Lula, mas não elimina a rejeição de uma parcela expressiva do eleitorado ao presidente. O analista avalia que essa divisão pode se refletir tanto na relação do governo com a sociedade quanto nas negociações políticas necessárias para aprovar medidas no Congresso Nacional.
“Só que ele ganhou, claramente, sem ter o apoio de pelo menos 40% da população e tendo uma rejeição muito grande de grande parte dessa população”, declarou.
Diogo relata que os posicionamentos apresentados durante a campanha nem sempre correspondem às negociações realizadas após às negociações realizadas após a eleição. Para ele, as primeiras movimentações devem aparecer nos próximos dias, mas as definições sobre a composição política do Congresso e o relacionamento com o governo poderão levar mais tempo.
“Mas não tenho dúvida, o quarto governo Lula tende a ser aquele em que ele chega mais enfraquecido. Não só pela sua idade, não só por exercer menos contato direto com os políticos, políticos de oposição principalmente”, destaca.
O analista reafirma que a composição do Congresso Nacional eleito apresenta um perfil contrário ao governo do PT e mais favorável ao campo político ligado para a família Bolsonaro.
Analista considera prematuro falar em impeachment
Durante sua participação, Diogo da Luz também comentou especulações sobre a possibilidade de Lula enfrentar um processo de impeachment nos primeiros anos do próximo mandato, ele ressalta, entretanto, que ainda não há elementos suficientes para sustentar previsões desse tipo.
“A alegação seria de que ele vai incorrer em pedaladas fiscais porque assumiu muitos custos e depois não terá como arcar com isso e acaba incorrendo em crime de responsabilidade e sofrerá impeachment. Volto a dizer, é muito cedo para cogitar qualquer coisa nesse sentido”, destaca.
Para ele, qualquer avaliação sobre o futuro do governo depende, antes de tudo, da formação da base parlamentar, das decisões econômicas e da relação que será estabelecida entre Executivo e o Congresso.
“Volto a dizer, é muito cedo para cogitar qualquer coisa nesse sentido. Precisamos antes de mais nada ver como será a composição do Congresso”, relata.
Regras eleitorais e atuação do judiciário
Diogo da Luz também questionou a efetividade das regras eleitorais para impedir o abuso do poder econômico e o uso da máquina pública durante as campanhas.
O analista também criticou decisões da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a organização da votação, especialmente a ampliação do horário em algumas localidades. Segundo Diogo, as mudanças de última hora geraram confusão e insegurança, embora ele avalie que não tenham influenciado o resultado das eleições.
“Nunca tivemos tanta interferência do Tribunal Eleitoral e, inclusive, do Supremo Tribunal Federal, determinando, de última hora, mudanças que geraram confusão e insegurança ao ampliar por mais duas horas o tempo de votação”, afirmou.
Resultado presidencial no Brasil
Na votação nacional do primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 56.104.503 votos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 53.879.538.
No segundo turno, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.
Os votos brancos caíram de 1,84% para 1,12% entre os turnos. Já os votos nulos passaram de 2,93% para 2,12%.






