Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANASU (AM) – Eduardo Gonçalves Ribeiro, primeiro governador negro do Amazonas, marcou a história do estado com grandes obras e inovações que se tornaram símbolos de Manaus durante o período áureo da borracha. Sua gestão, iniciada no início da República, foi responsável por projetos que deixaram um legado arquitetônico, cultural e urbanístico.
Durante o governo de Eduardo Ribeiro, obras marcantes foram iniciadas, como o Teatro Amazonas, o Reservatório do Mocó, a Ponte Metálica Benjamin Constant e o Palácio de Justiça. Essas realizações simbolizam a modernização da cidade no final do século XIX.
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Teatro Amazonas

Um dos maiores símbolos da cidade e da cultura amazonense, o Teatro Amazonas teve suas obras retomadas no governo de Eduardo Ribeiro após anos de interrupção. Ele impulsionou o projeto até sua inauguração, que ocorreu em 31 de dezembro de 1896, sob a gestão de seu sucessor.

O teatro impressiona pela grandiosidade e detalhes, como sua cúpula formada por 36 mil peças coloridas importadas da França, representando as cores da bandeira brasileira. Até hoje, é uma referência histórica e cultural do período da borracha.
Reservatório do Mocó

A construção desse sistema de abastecimento de água foi uma resposta à insalubridade causada pelo antigo reservatório, que não atendia à crescente população de Manaus.
Em 1893, Eduardo Ribeiro idealizou o novo projeto, localizado próximo ao igarapé do Mocó, que recebeu seu nome. A obra foi finalizada em 1899, garantindo melhor distribuição de água à cidade.
Ponte Metálica Benjamin Constant

Iniciada em 1893, a ponte foi projetada para ligar o centro de Manaus ao bairro da Cachoeirinha, substituindo as travessias inseguras feitas de canoas ou pontes de madeira. Com estrutura metálica fabricada na Inglaterra, sua construção foi concluída em 1895. Hoje, a ponte é conhecida por diversos nomes, mas oficialmente homenageia o republicano Benjamin Constant.
Palácio de Justiça

Em 1894, Eduardo Ribeiro deu início à construção do edifício que abrigaria o Poder Judiciário do Amazonas. De arquitetura renascentista, o palácio foi projetado para refletir a grandiosidade do ciclo da borracha. Sua inauguração, no entanto, ocorreu apenas em 1900. O edifício é um marco da arquitetura clássica do período e permanece como um dos mais importantes de Manaus.
Eduardo Ribeiro: Trajetória e conquistas

Nascido em 18 de setembro de 1862, em São Luís (MA), Eduardo Ribeiro ganhou o apelido de “Pensador” por seu engajamento republicano e atuação como editor do jornal O Pensador. Sua carreira militar o levou a integrar o alto comando do Amazonas, sendo indicado por Ximeno de Villeroy, primeiro governador provisório da República do estado.
Ribeiro assumiu o governo do Amazonas em 2 de novembro de 1890. Embora tenha enfrentado instabilidades políticas e breves afastamentos, foi reconduzido ao cargo em 1892, com apoio do presidente Floriano Peixoto. Durante esse período, promulgou uma nova Constituição Estadual, em 1892, permitindo eleições diretas para governador e vice-governador, algo inovador na época.
Inovações democráticas e fim do mandato
A reforma constitucional de 1895 trouxe mudanças significativas ao processo eleitoral do estado, aproximando-o dos moldes atuais. A escolha dos governadores passou a ser feita por sufrágio direto, embora o voto ainda fosse aberto e restrito a poucos.
Seu segundo mandato terminou em 23 de julho de 1896, e Eduardo Ribeiro faleceu em 14 de outubro de 1900, em Manaus, deixando um legado de obras que continuam a impactar a vida dos amazonenses e a história da cidade.






