Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A gestão dos contratos da saúde e das terceirizações foi tema de um embate entre os candidatos ao Governo do Amazonas Professora Maria do Carmo (PL) e Isael Munduruku (PSOL) durante o debate realizado pela Rede Amazônica, na noite desta terça-feira, 29/9.
O confronto começou após Isael questionar a situação dos profissionais da saúde contratados por empresas terceirizadas. Em resposta, Maria do Carmo defendeu uma auditoria nos contratos firmados pelo Governo do Amazonas.
‘É uma palhaçada’, diz Maria do Carmo
Maria do Carmo afirmou que pretende revisar os contratos da administração pública e ampliar a fiscalização sobre a execução dos serviços.
“Em primeiro lugar, eu penso que nós temos que literalmente fazer uma auditoria em todos os contratos hoje da administração pública, do governo, porque é uma palhaçada, isso é o que a gente sabe. Imagine o que a gente não sabe”, afirmou.
A candidata também criticou contratos envolvendo Organizações Sociais (OSs). Segundo ela, a situação estaria relacionada às filas e à falta de atendimento na saúde.
“Com as OS, com os contratos de família, virou-se uma vergonha. Democratização do público, algo que é intolerável, porque mata, porque isso é corrupção da pior espécie”, declarou.
Isael critica terceirizações
Na réplica, Isael Munduruku voltou a questionar o modelo de terceirização. Segundo ele, os recursos destinados à saúde deveriam chegar diretamente aos profissionais, em vez de serem repassados às empresas responsáveis pelas contratações.
O candidato afirmou que médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem ficam sujeitos às empresas que recebem os recursos do Estado.
“O estado paga para essas empresas, para esse CNPJ, e não paga diretamente para o profissional. Ou seja, o Estado muitas vezes pode dizer o seguinte: ‘eu estou pagando’, mas o médico vai dizer: ‘eu não estou recebendo’”, afirmou.
Isael também defendeu o fim do modelo que, segundo ele, cria dependência dos profissionais em relação às empresas terceirizadas. “O profissional de saúde fica na mão dessas empresas, nós temos que acabar com isso, candidata”, disse.
Maria do Carmo volta a criticar contratos
Na tréplica, Maria do Carmo respondeu às críticas sobre sua experiência na administração privada e afirmou que a gestão empresarial exige controle dos gastos. “Na gestão privada a gente é obrigada a cuidar de cada centavo que a gente gasta, então é por isso que a gente cresce”, ressaltou.
A candidata voltou a criticar as OSs e afirmou que contratos que considera inadequados podem ter consequências no atendimento à população. “Essas OS aí que simplesmente tratam a saúde como se fosse mercadoria, essa é a realidade sem médicos especialistas”, afirmou.
Maria do Carmo ainda citou contratos de aluguel de viaturas e fez referência a contratos envolvendo familiares de integrantes do governo. Segundo ela, essas situações seriam exemplos do que pretende fiscalizar caso assuma o Executivo estadual.
“A gente não pode banalizar essas coisas. Essas coisas matam gente, matam na fila dos hospitais, matam durante pandemias, matam por falta de saneamento e matam pessoas com hepatite, de uma mesma família, por falta de saneamento básico e água tratada”, declarou.
Último debate antes das eleições
O debate realizado pela Rede Amazônica reuniu os candidatos ao Governo do Amazonas no último confronto entre os concorrentes antes das eleições. O encontro foi marcado por discussões sobre saúde, contratos públicos, terceirizações e gestão estadual.






