Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) revelou, nesta terça-feira, 18/8, que Ezenilson Silva de Sousa, de 43 anos, foi à casa do ex-sogro para conseguir dinheiro e pagar uma dívida de aproximadamente R$ 19 mil com agiotas antes de matar três pessoas a golpes de martelo e ferir gravemente uma quarta vítima, no bairro São Jorge, zona Oeste de Manaus.
A polícia já havia confirmado a prisão de Ezenilson na noite dessa segunda-feira, 17, cerca de 12 horas após o crime. Nesta terça, durante coletiva de imprensa, o delegado Ricardo Cunha apresentou a sequência dos acontecimentos e afirmou que o suspeito confessou os assassinatos.
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De acordo com a investigação, o alvo inicial de Ezenilson era Francisco das Chagas Morais Santos, de 66 anos, pastor e seu ex-sogro. O homem, segundo a polícia, costumava ajudá-lo financeiramente e também auxiliava nas despesas do neto, filho do suspeito.
Ezenilson estaria pressionado por uma dívida de cerca de R$ 19 mil com agiotas e teria ido até a residência para pedir mais dinheiro a Francisco. O encontro terminou em discussão.
Segundo Ricardo Cunha, o suspeito já chegou ao imóvel levando o martelo dentro de uma bolsa.
“Ele estava devendo R$ 19 mil para agiotas. O senhor Francisco, que é uma das vítimas, é seu ex-sogro e ajudava financeiramente. E, neste dia, o autor foi à casa do Francisco pela manhã. O alvo inicial dele era o Francisco, para pedir mais dinheiro para pagar suas dívidas”, explicou o delegado.

Durante a discussão, Ezenilson atacou Francisco com vários golpes na cabeça. “De posse desse martelo que ele já tinha trazido na sua bolsa, que já estava na sua posse, ele efetuou vários golpes na cabeça dessa pessoa”, afirmou Ricardo.
Gritos acordaram outras vítimas
O ataque contra Francisco provocou gritos que acordaram Isabella Coelho Morais, de 29 anos, filha de Francisco das Chagas. Ela saiu para verificar o que estava acontecendo e também foi golpeada pelo suspeito.
Em seguida, Guilherme Pereira Lima Filho, de 65 anos, professor universitário que morava em outro andar do imóvel, ouviu a movimentação e foi até o local. Ele também acabou atacado dentro do mesmo quarto e morreu.
A quarta vítima, identificada como Dilma Cilene Sampaio, de 54 anos, ouviu os gritos e subiu para verificar a situação. Segundo a polícia, ela também foi atingida pelo suspeito e ficou gravemente ferida.

“Ele entrou no ambiente e os outros foram consequências ali de estarem acordando. Estava todo mundo dormindo no horário que ele entrou nessa casa”, detalhou o delegado.
Depois de matar, suspeito procurou o dinheiro
Mesmo após atacar as vítimas, Ezenilson permaneceu dentro da residência e não fugiu imediatamente. Segundo a Polícia Civil, ele ainda procurava o dinheiro que acreditava estar guardado no imóvel.
Foi nesse momento que, de acordo com o delegado Ricardo Cunha, ele encontrou um pequeno cofre com aproximadamente R$ 900 e deixou o local levando o dinheiro e também os celulares das vítimas. “Por que ele não fugiu? Porque ele estava atrás do dinheiro”, contou o delegado.
A polícia recuperou apenas um dos celulares. Outros dois teriam sido descartados pelo suspeito em um igarapé próximo ao imóvel, na avenida São Jorge. O martelo utilizado nos ataques também teria sido jogado na mesma área próxima.

O delegado-geral da Polícia Civil, Bruno Fraga, destacou que o valor encontrado na residência era pequeno diante da violência contra as vítimas.
“Dentro da casa havia R$ 256 aproximadamente, um valor ínfimo. Nenhum valor justifica tirar a vida de qualquer ser humano”, declarou.
Câmeras mostraram entrada e saída
A identificação do suspeito foi possível, segundo a DEHS, após a análise de imagens de câmeras de vigilância instaladas nas proximidades.
As gravações mostram um homem chegando ao local por volta das 5h30, estacionando uma motocicleta do outro lado da rua e entrando no imóvel pelo muro.
Ele permaneceu na residência por aproximadamente duas horas e meia. Por volta das 7h, saiu carregando objetos pertencentes às vítimas.
Os investigadores passaram a comparar o homem registrado pelas câmeras com pessoas próximas à família. A polícia encontrou semelhanças na aparência física, na motocicleta, no capacete e na bolsa utilizada.
“Essa pessoa também possuía uma moto de característica muito semelhante. O capacete utilizado também era muito semelhante. E, para fechar, ao entrar nessa residência, ele portava uma bolsa transversal”, disse Ricardo Cunha.
Suspeito voltou ao imóvel e contou a dinâmica
Após confessar o crime, Ezenilson retornou ao local do crime acompanhado dos investigadores. Segundo Ricardo Cunha, ele detalhou como entrou na casa, atacou as vítimas, procurou o dinheiro e deixou o imóvel.
A polícia também encontrou a motocicleta e o capacete utilizados na ação. As roupas usadas pelo suspeito durante o crime foram localizadas na residência dele enquanto eram lavadas e já tinham recebido produtos para retirar os vestígios.
‘Pessoa extremamente fria’, diz delegado
Ezenilson não tinha antecedentes criminais, segundo a Polícia Civil. Durante o interrogatório, porém, ele teria apresentado uma versão de legítima defesa.
O suspeito alegou que estava em desvantagem numérica e que teria reagido às vítimas. Para Ricardo Cunha, a versão não se sustenta diante dos elementos reunidos até agora. “É uma pessoa extremamente fria, muito fria”, afirmou.
A polícia também informou que Ezenilson trabalhava como entregador por aplicativos e morava nas proximidades da residência onde ocorreu o crime.
Após deixar o imóvel, segundo o depoimento, ele teria procurado um dos agiotas para parcelar a dívida e depois retornado para casa.
Polícia ainda investiga participação
A Polícia Civil ainda não considera o inquérito encerrado. O delegado Ricardo Cunha afirmou que a possibilidade de participação de outras pessoas ainda não foi totalmente descartada.
A Polícia Militar foi acionada após as vítimas serem encontradas e realizou o isolamento da área. Equipes da 22ª Cicom, Força Tática e Rocam deram apoio para preservar a cena até a chegada da perícia e dos investigadores.
Sobrevivente segue em estado gravíssimo
A quarta vítima, Dilma Sampaio permanece internada em estado gravíssimo. Segundo Bruno Fraga, ela sofreu golpes de martelo e ainda corre risco de morte.
“Mais uma vítima em estado gravíssimo, ainda no hospital, sendo tratada. Pode ser que isso evolua, infelizmente, para um quadro de homicídio”, afirmou o delegado-geral.
Caso a vítima não resista, o número de mortos no ataque chegará a quatro.
Ezenilson Sousa permanece custodiado na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e deverá responder por três homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio qualificado.
*Com colaboração de Kataryne Dias e Tunico Santos






