Redação Rios
MANAUS (AM) – Primeiro meio de comunicação eletrônica, o centenário e sempre moderno rádio se mantem firme no coração, nos ouvidos e mais recentemente até no alcance dos olhos do público. Essencialmente sonoro, mas aproveitando as possibilidades do audiovisual, esse meio tem seu dia nacional celebrado neste 25 de setembro.
A data é uma homenagem ao nascimento do ‘pai do rádio no Brasil’, Edgard Roquette-Pinto (1884–1954), professor, médico, antropólogo e escritor brasileiro, que cunhou a célebre frase: “O rádio é o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre”.

O assunto foi tema do programa Rios do Conhecimento, na Rádio Rios FM 95,7, com a apresentação e coordenação do jornalista e professor Rômulo Araújo, e colaboração de universitários do curso de jornalismo do Centro Universitário Fametro.
A edição especial reuniu a radialista e pesquisadora Edilene Mafra; o radialista Mateus Arruda; além da participação da diretora da Rede Rios de Comunicação, Kellen Lopes.
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Rádio, o companheiro
Durante o bate-papo, foram destacadas pelos convidados algumas das grandes características do rádio, entre elas a companhia, a democratização da informação e a facilidade de alcançar grandes distâncias.
“Falar sobre a importância do Rádio no Amazonas é sempre especial. Nosso estado tem dimensões grandiosas, onde os rios são nossas estradas e a floresta o nosso lar, e o rádio tem um papel único, chegar aonde muitas vezes nenhum outro meio consegue, conectando pessoas e histórias com uma linguagem próxima que acolhe e informa”, destacou a administradora Kellen Lopes, responsável pela implantação da Rede Rios, que começou pela Rios FM.

“Pra mim, o rádio faz um papel muito importante, muito característico dele, algo democrático, promovendo informação para todos os povos da Amazônia, falando com letrados e não letrados, quem lia e quem não lia, quem tinha mais conhecimento e quem não tinha tanto, por isso a linguagem do rádio é tão simples e isso hoje com a internet ganhou mais força ainda”, afirmou Edilene, que tem uma tese de Doutorado sobre trajetória do rádio no Amazonas e a migração da AM para FM.
“Além de entreter e de informar, o rádio é um grande companheiro. A escola que eu vim do rádio é a do locutor próximo, amigo. Se você me ouvir no ar hoje, você vai ouvir o mesmo cara fora do ar, porque é a mesma pessoa, eu não tenho personagens. E isso acho que é a grande magia do rádio. Essa coisa de adivinhar como é pessoa”, avaliou Mateus Arruda, profissional da área com quase 30 anos de carreira e comandante do Omelete Show nas manhãs da Rios FM.
Para Rômulo Araújo, professor e jornalista que tem em seu histórico vivências acadêmicas e de mercado na área do rádio, o veículo sempre soube se adaptar às mudanças. “O fato é que, neste pouco mais de um século de existência, o rádio é a mídia que sempre melhor se adaptou em meio a mudanças tecnológicas, como a chegada da televisão e da internet”, observou.
“De Coari para o mundo”, a aluna de jornalismo Neta Nobre, que integra a equipe do Rios do Conhecimento, já atuou em rádio no interior e comentou sobre sua paixão pela mídia. “Hoje estou muito grata por estar aqui e fazer parte dessa bancada, estar atuando no rádio que é um veículo que a gente tanto ama”, disse.
História e curiosidades
Há tempos se conta que a história do rádio no Brasil começa em 7 de setembro de 1922, com a primeira transmissão oficial durante o Centenário da Independência e que a primeira emissora foi fundada por Edgard Roquete Pinto em 1923, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, marcando o começo da radiodifusão no país.
No entanto, recentemente, houve o reconhecimento de que a Rádio Clube de Pernambuco, criada por um grupo de amadores em Recife, seria aquela considerada a primeira emissora de rádio do Brasil, fundada em abril de 1919.
“A gente estudou muitos anos que o centenário do rádio brasileiro seria em 1922, devido à primeira transmissão de rádio no Brasil, mas foram muitos anos de luta para a Rádio Clube de Pernambuco, que requereu e conseguiu obter na justiça ser considerada a primeira rádio brasileira, logo o centenário do rádio no país foi em 2019. E essa informação ainda está muito reservada à área da pesquisa, mas Roquette-Pinto foi um dos maiores incentivadores da educação no Brasil, então é muito válida essa homenagem”, ressaltou Edilene Mafra.
No Amazonas, o rádio completará seus 100 anos em 2027, ano que marca o centenário da inauguração da ‘A Voz de Manaós’, pelo então governador Ephigênio Salles. Cerca de uma década depois é fundada a Voz da Baricéia, em 1938, que posteriormente passou a ser denominada como Rádio Baré, considerada a primeira e mais antiga emissora de rádio do estado. O seu prefixo hoje, pertence à Rádio Rios FM, motivo de orgulho para a empresa.
“A Rios FM que nasceu da antiga Rádio Baré, primeira rádio do Amazonas, carrega em seu nome a identidade amazônica dando vez e voz a nossa gente. Temos orgulho de reunir grande profissionais do rádio e abrir espaço para novas vozes como no projeto Rios do Conhecimento. E hoje seguimos crescendo, expandindo para o interior do estado e valorizando a cultura da nossa região”, informou Kellen Lopes.
Rios do Conhecimento
O Rios do Conhecimento é transmitido às quartas-feiras, das 19h às 20h, na Rádio Rios FM 95,7, com exibição simultânea no canal da emissora no YouTube.
A iniciativa é fruto da parceria entre a Rede Rios de Comunicação e o Curso de Jornalismo do Centro Universitário Fametro, proporcionando aos acadêmicos vivência prática em comunicação e jornalismo sob a supervisão de professores.






