Kataryne Dias – Rios de Notícias
AMAZONAS – Vereadores de Maués questionaram, durante sessão da Câmara Municipal, uma possível convocação de servidores e trabalhadores ligados à Prefeitura para participar da recepção ao governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União Brasil), neste sábado, 19/9.
O caso veio à tona após um áudio circular em grupos de WhatsApp. Na gravação, uma mulher apontada como coordenadora do transporte escolar da Prefeitura de Maués, afirma que a prefeita Macelly Veras (MDB) estaria convocando transportadores e outros trabalhadores da administração municipal para participar do ato.
O vereador Rodrigo Bentes (MDB) levou o caso à tribuna e questionou um possível uso da estrutura pública para mobilização política. Segundo ele, a situação poderia configurar irregularidade eleitoral.
“Eu julgo acima da imoralidade, acima de tudo, um crime eleitoral, onde servidores da educação usam o sistema da educação do município de Maués para convocar todo mundo, para que possam vir recepcionar um determinado candidato, dando dia e hora. Mas você convocar, além de coagir, da intimidação do servidor público, fora do seu horário de expediente”, afirmou.

Áudio cita convocação
Na gravação, a mulher afirma que a prefeita estaria convocando transportadores, professores, merendeiros, trabalhadores da limpeza e outros servidores para participar da recepção a Roberto Cidade.
“A prefeita tá convocando vocês, transportadores, todo o pessoal que trabalha, mano, no governo, tá? Professora, fala com a coordenadora daí, pra ela ligar pra mim. Ela quer que vocês venham, que vocês estejam aqui no sábado, na chegada do governador Roberto Cidade. Ela conta com a presença de todos os transportadores, de todos os funcionários que fazem parte do governo”, diz um trecho.

O áudio também cita uma possível “ajuda” para custear o deslocamento dos participantes. “Ela vai dar a ajuda pra vocês, que vocês vão vir, né? Aí vão voltar, ela vai dar a vinda de vocês e a volta da gasolina, tá? Aí vocês me confirmem”, afirma a gravação.
O conteúdo, no entanto, não comprova, por si só, que a convocação tenha sido determinada formalmente pela prefeita. Também não há confirmação de que algum valor tenha sido efetivamente pago.
Vereador questiona combustível
Rodrigo Bentes também questionou a possibilidade de utilização de combustível para o deslocamento de participantes do ato político.
Segundo o vereador, recursos dessa natureza deveriam ser destinados a demandas da população, como transporte funerário, transporte escolar e deslocamento de pacientes.
“Esse mesmo derrame de combustível deveria ser feito para o transporte do auxílio-funeral, já que há inúmeras denúncias de pessoas que precisam fazer cota, inclusive para levar seus entes à zona rural quando alguém falece. Esse mesmo derrame de combustível deveria existir para complementar as parcerias da educação, para que os pais possam levar seus filhos à escola. O mesmo deveria ser feito pela Secretaria de Saúde, para transportar os pacientes e garantir o retorno deles”, declarou.
O parlamentar defendeu a apuração do caso e mencionou a possibilidade de denúncia por crime eleitoral.
O vereador Simildon Rocha também se manifestou durante a sessão e orientou servidores que estejam sofrendo pressão ou intimidação a procurar o cartório eleitoral.
“Quero dar essa recomendação, esse alerta para vocês, funcionários: se estão sendo ameaçados ou convocados, vocês não são obrigados. Nos procurem, procurem o cartório eleitoral, se isso estiver acontecendo com vossas senhorias. Não são obrigados a participar de nenhum movimento político”, afirmou.
Prefeitura de Maués é questionada
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Prefeitura de Maués para esclarecer a origem da convocação, a eventual participação da prefeita Macelly Veras e se houve previsão de pagamento de combustível ou outro tipo de auxílio aos participantes.
Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Maués, da prefeita Macelly Veras e dos demais citados.






