Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma denúncia feita pelo vereador Sargento Salazar (PL) nas redes sociais voltou a movimentar o debate político no Amazonas ao questionar contratos públicos envolvendo empresas ligadas à família do governador Roberto Cidade (União Brasil).
O tema ganhou repercussão após uma reportagem da Rede Amazônica apontar contratos que ultrapassam R$ 50 milhões entre o Governo do Amazonas e a empresa Navegação Cidade, relacionados ao serviço de transporte escolar fluvial.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Salazar afirmou que parte da frota utilizada pela Polícia Militar do Amazonas seria composta por veículos alugados de empresas ligadas à família do governador.
“Meus amigos, para quem não sabe, essas viaturas da Polícia Militar, algumas descaracterizadas, elas são alugadas da empresa, da família do atual governador Roberto Cidade. São mais de R$ 660 milhões em contrato, desde a época do antigo governador Wilson Lima, atraso de vida, um dos motivos que eles preferem gastar com tecnologia e com aluguéis de viatura”, declarou o parlamentar.
Na publicação, o vereador também criticou os investimentos do governo em contratos de locação de viaturas e tecnologia. Segundo Salazar, os recursos destinados a esses serviços deveriam ser acompanhados de avanços em áreas como segurança pública e saúde, incluindo demandas de servidores.
“Agora vocês estão entendendo porque que ele não chama os concursados, porque ele não paga o auxílio-fardamento, as promoções, a data-base, a lei de custos, porque que ele não paga os médicos e os técnicos”, afirmou.
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Contratos da Navegação Cidade
A discussão ganhou força após reportagem da Rede Amazônica revelar contratos de transporte escolar fluvial firmados entre o Governo do Amazonas e a empresa Navegação Cidade.
Conforme os documentos apresentados na reportagem, dois contratos foram assinados em março de 2016, quando Roberto Cidade ainda era proprietário da empresa. Os acordos tinham como objetivo atender estudantes da rede estadual em municípios do interior do Amazonas, onde o transporte pelos rios é essencial.
O primeiro contrato teve valor inicial de R$ 9,09 milhões para atender municípios da região do Médio Solimões. O segundo, firmado no mesmo período, contemplava cidades do Alto Solimões e possuía valor semelhante.

Contrato durante a pandemia ampliou valores
Em outubro de 2020, um terceiro contrato foi firmado, com valor aproximado de R$ 30 milhões, para prestação de transporte escolar fluvial em municípios do Baixo Amazonas, incluindo Parintins, Maués, Barreirinha, Nhamundá, Boa Vista do Ramos e Urucurituba.

Com a soma dos três contratos, os valores destinados à empresa ultrapassam R$ 50 milhões. O aumento dos recursos, mesmo com mudanças no número de municípios atendidos, foi um dos pontos destacados na reportagem.
Sem resposta
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com o Governo do Amazonas e com a empresa Navegação Cidade para solicitar posicionamento sobre o caso, mas não recebeu retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.






