Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma artista envolvida na revitalização dos murais do viaduto Dom Jackson Damasceno Rodrigues, localizado em Manaus no cruzamento das avenidas Constantino Nery e Senador Álvaro Maia, denuncia problemas na organização do projeto, nas condições de trabalho, na formalização dos contratos e no pagamento dos cachês.
A denunciante, que preferiu não se identificar, afirmou que decidiu expor a situação para cobrar os direitos das profissionais envolvidas na produção dos murais.
O projeto faz parte do “Manaus em Cores: Arte que Protege”, lançado pela Prefeitura de Manaus por meio do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), em parceria com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).
Cobrança de urgência

Segundo a artista, a organização do projeto começou com cobranças para que as participantes produzissem rapidamente os esboços dos murais.
No dia 7 de agosto, a responsável pela organização teria criado um grupo no WhatsApp e informado que as pinturas começariam três dias depois, em 10 de agosto.
A mensagem enviada às participantes destacava a palavra “URGENTE”. “Desde o início, a pessoa que nos convidou nos apressou muito”, relatou.
Apesar da cobrança, o início dos trabalhos teria sido adiado sucessivas vezes. A data inicialmente prevista para 10 de agosto passou para 13 de agosto e, posteriormente, para a semana seguinte. O início acabou sendo remarcado para 24 de agosto e, depois, para o dia 25.
“Então aí já foi complicado! Porque pediram urgência pra gente criar o esboço e começar a trabalhar, e já enrolaram bastante!”, afirmou.
Contratos não teriam sido assinados


Outro ponto relatado pela artista é a falta de formalização da contratação. Segundo ela, os dados das participantes foram solicitados em 17 de agosto para a elaboração dos contratos, mas os documentos não teriam sido assinados mesmo após o início das pinturas.
No dia 25 de agosto, as artistas teriam recebido o prazo de sete dias para concluir os trabalhos.
“No dia 25/8 ela disse que teríamos 7 dias para executar o trabalho. Então fomos o mais rápido possível executar, e passamos os próximos dias nos dedicando ao máximo pra cumprir o prazo. E nada do contrato!”, relatou.
O prazo terminaria em 31 de agosto. Segundo a denunciante, naquele dia as participantes foram informadas de que poderiam continuar trabalhando por mais uma semana.
Artistas relatam falta de estrutura


De acordo com a denunciante, nove artistas contavam com apenas um ajudante durante a execução dos murais. Ela também afirma que não havia água potável disponível no local para consumo ou higienização das mãos.
“Tinha apenas um ajudante para nove artistas, não tinha água potável para a gente lavar nada, nem as mãos, e não tinha água de beber! Nesse calor do verão!”, afirmou.
A artista também relatou problemas de higiene nas proximidades do local de trabalho. “Todos os dias tinha coco humano em frente ao local onde eu estava pintando. E eu tinha que tirar. Imagina a situação!”, disse.
Evento teria causado constrangimento
No dia 26 de agosto, foi realizado um evento de abertura do projeto. Segundo a denunciante, representantes da Prefeitura estiveram no local e registraram imagens das artistas durante a execução dos murais.
Ela afirma que as profissionais não teriam autorizado formalmente o uso das imagens e que a instalação de um palco e a apresentação de uma banda alteraram a rotina de trabalho.
“No dia 26/8 teve um evento de abertura onde a prefeitura filmou as grafiteiras sem autorização, e levou um palco e uma banda para tocar. A gente ficou constrangida”, relatou.
Prefeitura teria usado imagens das artistas

A denunciante também questionou publicações feitas no Instagram da Prefeitura de Manaus. Segundo ela, pelo menos dois vídeos mostram os murais e algumas das artistas durante a execução dos trabalhos.
Nas publicações, conforme o relato, aparece a mensagem “gente que trabalha”. “E estão usando a nossa imagem pra se promover. No Instagram da prefeitura tem uns dois vídeos que mostram nossas pinturas e algumas artistas pintando, com o lema ‘gente que trabalha’”, afirmou.
Segundo a artista, a questão estaria relacionada também à falta de contratos e ao pagamento dos cachês. “Então não passaram nem uma % do pagamento até hoje! E nem contrato!”, afirmou.
Outro lado
O Portal Rios de Notícias entrou em contato com o Conselho Municipal de Cultura (Concultura), a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e a Prefeitura de Manaus sobre as denúncias, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos citados.






