Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Dificuldades no acesso a exames básicos do pré-natal, falta de insumos e limitações estruturais que comprometem o acompanhamento de gestantes indígenas foram identificadas pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas durante visita à comunidade Cabarí, em São Gabriel da Cachoeira, nesta quinta-feira, 21/5.
A ação foi realizada pelo Comitê de Enfrentamento à Violência Obstétrica, que verificou as condições de assistência oferecidas às mulheres indígenas e articulou medidas para ampliar o atendimento na região.
Moradora da comunidade, a indígena Elisangela Ordones Fontes, de 21 anos e grávida de quatro meses, contou que recebe acompanhamento desde o início da gestação, mas relatou dificuldades durante o atendimento. “Agora, com o segundo filho, sigo realizando o pré-natal na comunidade, com apoio dos agentes de saúde locais”, explicou.
A enfermeira Silvania Lima da Silva, que trabalha há 18 anos na região, destacou os desafios enfrentados pelas equipes de saúde nas aldeias.
“Atualmente, acompanho 22 gestantes apenas na área atendida pela equipe em Cabari e comunidades próximas. Mesmo diante das longas distâncias, das chuvas e das limitações estruturais, os atendimentos continuam sendo realizados regularmente. Os nossos pré-natais são feitos aqui, sempre com privacidade. Fazemos vacinação, visitas domiciliares e acompanhamos os pacientes acamados. A gente procura fazer o melhor com criatividade”, relatou.
A vistoria contou com a participação da Secretaria Municipal de Saúde, Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Telepnar da Universidade Federal do Amazonas e outros órgãos.
Segundo a defensora pública Caroline Souza, a equipe constatou a precariedade dos serviços ofertados na comunidade.
“O que a gente percebeu é que as equipes trabalham com o que têm, e eles têm muito pouco. Acompanhamos uma consulta de pré-natal e, por exemplo, o sonar, o aparelho para ouvir o coração, não funcionou. Elas não fazem hemograma na comunidade, somente se a gestação evoluir para uma situação mais grave, que necessita da ida ao hospital, na sede do município”, explicou.






