Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A administradora Juliete Mascarenhas, o marido, Eugênio, natural da Bahia, e o filho Edward, de apenas três anos, trocaram o conforto das viagens de avião por uma aventura sobre quatro rodas. A família saiu de Manaus com destino a Florianópolis (SC), percorrendo milhares de quilômetros de estrada, incluindo a BR-319, considerada uma das rodovias mais desafiadoras do Brasil.
O que parecia uma missão quase impossível acabou se transformando em uma experiência repleta de paisagens, descobertas e histórias para contar. Agora, no caminho de volta para Manaus, a família encara novamente a BR-319, única ligação terrestre entre o Amazonas e o restante do país.
Apesar das melhorias realizadas em alguns trechos, a rodovia ainda apresenta inúmeros desafios. Longas extensões sem pavimentação, buracos, poeira intensa que compromete a visibilidade, as conhecidas “costelas de vaca” e o risco de atoleiros fazem parte da rotina de quem decide enfrentar a estrada.
Os desafios da BR-319
“A gente já tinha feito uma viagem de carro antes e simplesmente amou essa forma de viajar. Conhecer lugares novos e viver a estrada juntos fez com que essa nova aventura fosse uma decisão natural”, conta Juliete.

Segundo ela, cada travessia pela BR-319 é diferente.
“Dessa vez não atolamos, mas enfrentamos muita poeira. Há momentos em que a visibilidade fica bastante comprometida e somos obrigados a reduzir bastante a velocidade. Também passamos pelas famosas costelas de vaca, que fazem o carro inteiro tremer”, relata.
Além das condições da rodovia, a falta de infraestrutura é outro desafio para os viajantes. Ao longo do percurso, há poucos restaurantes, postos de combustíveis e pontos de apoio, o que exige planejamento antes da viagem.
“No trecho da BR-319 existe apenas um posto de combustível em Realidade, distrito de Humaitá, e depois só encontramos outro em Careiro Castanho. São cerca de 500 quilômetros de distância. Quem não se programa corre o risco de ficar sem combustível. A gente nunca ficou, mas já chegamos com apenas a reserva, e foi um sufoco”, lembra.
Planejamento faz a diferença
Para reduzir os riscos de imprevistos, a família abastece sempre que possível, leva galões de combustível de reserva, água, alimentos e compra refeições antecipadamente, já que alguns pontos de apoio estão separados por centenas de quilômetros.

Viajar com uma criança pequena também exige adaptação. Edward, de três anos, protagoniza situações que hoje rendem boas lembranças.
“Tem horas em que a gente pensa: ‘Meu Deus, por que inventamos isso?’, principalmente quando ele resolve querer ir ao banheiro e não existe nenhuma estrutura por perto”, brinca Juliete.
Revisão do veículo é indispensável
Antes de iniciar a viagem, a família realiza uma revisão completa no veículo. Freios, pneus, suspensão, alinhamento, sistema de arrefecimento, óleo, filtros e iluminação são inspecionados para reduzir o risco de problemas mecânicos durante o percurso.
Em uma rodovia onde o socorro mecânico é escasso e as distâncias entre comunidades são grandes, qualquer falha pode comprometer toda a viagem.
Mesmo após enfrentar poeira, buracos e longos trechos sem pavimentação, a família afirma que a experiência compensou todos os desafios. Agora, durante o retorno ao Amazonas, a expectativa é reviver a aventura e acumular novas histórias ao longo da BR-319.






