Redação Rios
MANAUS (AM) – Uma história real marcada por violência, espera e justiça tardia, que começou em Boa Vista (RR) e ganhou repercussão nacional, chega agora à literatura. A escritora e roteirista Luciana de Gnone lança, no dia 19 de setembro, às 18h, em Manaus, o romance policial “Voz de Prisão”, inspirado na trajetória de Gislayne de Deus, escrivã da Polícia Civil de Roraima que participou da prisão do homem condenado pelo assassinato de seu pai, 25 anos após o crime.
O lançamento será realizado no Centro Cultural Casarão de Ideias, no Centro de Manaus. Além da sessão de autógrafos, a programação terá um bate-papo entre Luciana de Gnone e Gislayne de Deus sobre a transformação de uma história real em ficção e temas como memória, violência, justiça tardia e protagonismo feminino. A conversa será mediada pela advogada, escritora e crítica literária Myriam Scotti.
“Estou muito feliz por mediar esse encontro e ansiosa por uma conversa que atravesse não apenas o processo de escrita do livro, mas sobretudo esse território tão instigante em que fatos reais se entrelaçam à invenção e se transformam em ficção”, afirma Myriam.

Uma espera de 25 anos
Gislayne tinha nove anos quando o pai foi assassinado em Boa Vista, em 1999. O suspeito chegou a ser preso em flagrante, mas foi solto dias depois. Anos mais tarde, acabou condenado pelo crime.
Em 2016, um mandado de prisão foi expedido, mas o condenado permaneceu foragido. Já adulta, formada em Direito e integrante da Polícia Civil de Roraima, Gislayne participou da operação que resultou na prisão do homem, em 2024, 25 anos depois do assassinato do pai.
A trajetória chamou a atenção de Luciana depois de ser contada em uma reportagem jornalística. A partir daí, a autora decidiu transformar o caso em literatura.
Para desenvolver o romance, Luciana esteve em Boa Vista, onde conheceu Gislayne, visitou locais relacionados ao caso e conversou com pessoas envolvidas na história. Também teve acesso a documentos, entre eles o inquérito policial, depoimentos e registros do julgamento.
O material serviu como base para uma narrativa ficcional que vai além da investigação criminal. Em “Voz de Prisão”, a autora aborda os impactos da violência, a espera por justiça, a memória e as fragilidades do sistema, além de explorar o protagonismo feminino em espaços tradicionalmente associados ao poder e à investigação.
Da realidade para a ficção
Embora inspirado na história de Gislayne, o livro não reproduz literalmente sua trajetória. Luciana criou uma personagem ficcional a partir dos elementos centrais do caso e utiliza a estrutura do romance policial para explorar questões que permanecem depois que um crime deixa de ocupar as manchetes.
A adaptação da história para o audiovisual também está em desenvolvimento. O projeto é realizado pela Intro Pictures, com roteiro assinado pela própria Luciana de Gnone. A atriz Carol Castro participa como produtora associada e intérprete da protagonista.
“Está sendo muito especial levar ‘Voz de Prisão’ aos leitores amazonenses. É uma história potente, que fala de justiça, memória e, sobretudo, da perseverança de uma mulher que passou grande parte da vida esperando por uma resposta. Quero muito que essa trajetória alcance novos leitores e provoque conversas que vão além das páginas do livro”, diz Luciana.
Para Gislayne, transformar a experiência em literatura representa uma nova maneira de olhar para uma história que atravessou grande parte de sua vida.
“Quando soube que a minha história poderia inspirar um livro, senti uma mistura de emoção e responsabilidade. Foram muitos anos convivendo com a ausência do meu pai e com a espera por respostas. Ver essa história ganhar uma nova linguagem, pela literatura, é também uma oportunidade de mostrar que, por trás de um caso policial, existem pessoas, sentimentos e histórias que permanecem”, afirma.
Segundo ela, a obra também pode contribuir para uma reflexão sobre a busca por justiça. “Espero que ‘Voz de Prisão’ possa levar essa reflexão aos leitores e mostrar, sobretudo, que a busca por justiça também pode transformar a dor em força e propósito”, completa.
Lançamento em Manaus
A chegada de “Voz de Prisão” a Manaus amplia o percurso de uma história que nasceu em Boa Vista e alcançou o público da região por meio da cobertura jornalística, incluindo reportagens da Rede Amazônica.
O encontro em Manaus será também uma oportunidade para discutir os limites entre realidade e ficção e como histórias de crimes reais podem ser reconstruídas pela literatura.
*Com informações da Assessoria






