Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Com o aumento dos preços e uma renda média mais apertada, manter o equilíbrio financeiro tem sido um desafio constante para as famílias do Amazonas. Um estudo recente da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, aponta que a organização do orçamento doméstico ainda é uma dificuldade para a maioria da população, revelando fragilidades na educação financeira aplicada ao dia a dia.
O levantamento mostra que apenas uma pequena parcela dos brasileiros consegue manter controle regular das próprias finanças. No Amazonas, o cenário é ainda mais delicado: embora o custo médio mensal de vida (R$ 2.990) seja inferior à média nacional, a renda também é menor, o que faz com que as despesas fixas consumam uma fatia maior do orçamento familiar.
Segundo o consultor financeiro Alon Hans, o momento exige mais estratégia e planejamento. Para ele, o caminho passa por ajustes sustentáveis, como cortar excessos sem comprometer a qualidade de vida, renegociar contas e adotar hábitos de consumo mais conscientes.
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Orçamento sob pressão
De acordo com o especialista, o problema central não está apenas no valor do custo de vida, mas no peso que ele representa para a renda das famílias amazonenses.

“Mesmo com um custo médio abaixo do nacional, o impacto é proporcionalmente maior no Amazonas. Os principais vilões hoje são a moradia, as contas recorrentes e o supermercado”, afirma.
O consultor destaca que o aluguel elevado em áreas urbanas de Manaus, a escassez de imóveis com preços acessíveis e os reajustes frequentes de condomínio e IPTU pressionam o orçamento. Além disso, despesas básicas como energia elétrica e alimentação têm pesado cada vez mais.
“A conta de luz é um dos maiores problemas, tanto pelo clima quanto pelas tarifas e bandeiras. Já no supermercado, a logística cara, a dependência de produtos de outros estados e a instabilidade de preços fazem o carrinho ficar mais caro mês após mês”, explica.
Estratégias para reduzir gastos
Alon Hans reforça que não existe fórmula milagrosa para economizar, mas sim decisões práticas e planejamento. No caso do supermercado, ele recomenda organização e comparação de preços. Entre as principais orientações estão:
- Planejar compras semanais, em vez de mensais, para reduzir desperdícios;
- Comparar preços entre atacarejos e varejo, priorizando marcas regionais;
- Evitar compras por impulso, indo ao mercado com lista definida e limite de gastos.
Sobre as contas recorrentes, o especialista sugere revisar contratos e acompanhar o consumo ao longo do mês:
- Reavaliar planos de internet e telefonia;
- Substituir equipamentos antigos por modelos mais econômicos;
- Criar o hábito de monitorar o consumo, e não apenas pagar a fatura no fim do mês.
Em relação à moradia, ele orienta avaliar se o custo do aluguel é compatível com a renda – o ideal é que não ultrapasse 30% do orçamento -, negociar reajustes e repensar a localização do imóvel em momentos de aperto financeiro.
Maturidade financeira
Para o consultor, alcançar maturidade financeira não depende de uma única escolha, mas do equilíbrio entre três frentes: organização, ajuste e crescimento.
“É preciso cortar desperdícios sem perder qualidade de vida, renegociar contas e dívidas antes que se tornem uma bola de neve e buscar aumento de renda, mesmo que de forma gradual”, destaca.
Segundo ele, a solução passa menos por ganhar mais dinheiro e mais por aprender a lidar melhor com o que já se ganha. “O custo de vida no Amazonas não é apenas um número. Ele revela um problema estrutural: renda apertada, preços instáveis e pouca educação financeira prática”, aponta.
Realidade das famílias
A empreendedora e estudante de Jornalismo Suellem Lima, de 33 anos, relata que a cesta básica tem sido uma das principais responsáveis pelo aumento das despesas familiares. Segundo ela, o volume de compras diminuiu, enquanto os preços continuam subindo.
“Hoje a gente acaba priorizando mais o preço do que a qualidade, buscando o que cabe no bolso”, afirma.

Ela conta que a família precisou mudar hábitos para equilibrar as contas. O número de aparelhos de ar-condicionado foi reduzido e o tempo de uso passou a ser controlado, assim como o consumo de outros eletrodomésticos.
“Tivemos que cortar gastos para conseguir pagar as contas e garantir a alimentação em casa”, relata.
Os momentos de lazer também foram afetados. Se antes a família costumava sair com frequência, hoje as opções são atividades em casa ou em espaços públicos, como forma de manter o orçamento sob controle.
“Criamos estratégias para organizar as finanças da família. Hoje apenas meu esposo trabalha, então o cuidado precisa ser ainda maior. Está sendo difícil, mas até agora tem dado certo”, conclui.






